Infantilizado, novo It decepciona

Foto: divulgação

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A primeira vez em que assisti ao trailer de It – A Coisa, tive impressão de que seria muito mais assustador que o telefilme de 1990. Só impressão. A produção contemporânea se situa mais próxima de aventuras infantojuvenis dos anos 80, como Goonies e Gremlins, do que de um horror estilo Annabelle 2.

A exemplo da película da boneca assombrada, em It os protagonistas são crianças. Porém os tratamentos dados às duas tramas ocorrem de forma diversa. O diretor argentino Andrés Muschietti, o mesmo de Mamá, preferiu infantilizar a trama do palhaço sobrenatural Pennywise, que a cada 27 anos reaparece para aterrorizar uma cidade pacata do estado americano do Maine.

Desta vez, o bufão demoníaco – muito parecido com a Rainha Vermelha interpretada por Helena Bonham Carter no Alice, de Tim Burton – persegue um grupo de garotos e uma menina no estilo losers (fracassados). Não bastassem o bullying que sofrem de colegas maiores na escola e os problemas familiares, ainda se veem às voltas com repentinos ataques de Pennywise ou de alguma assombração criada por ele.

Tem terror na história? Sim, só que o impacto acaba diluído pelas sequências em que a molecada se reúne. O espectador se depara com um chatíssimo espetáculo de clichês que já deve ter visto em dezenas de outras películas, como paixões não correspondidas, complexos de inferioridade e empolgação da turma de mini heróis para combater um ente maléfico como se fosse a um jogo de caça ao tesouro. Ainda tentaram inserir no roteiro elementos de incesto e pedofilia para dar um ar mais pesado, mas sem alcançar impacto.

Esta é apenas a primeira parte do novo It. Em sua próxima aparição, o palhacinho maléfico deve atormentar os personagens já em sua fase adulta. Aguardemos para ver se a sequência funcionará melhor. Ainda continuo preferindo A Coisa de 1990, filme bem menos bobo que o atual.

 

 

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Annabelle 2 é overdose de terror

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Depois do assustador Invocação do Mal (The Conjuring), de 2013, confesso que esperei mais do spin off Annabelle. Lançado em 2014, o filme deixou muito a desejar comparando-o com a produção do qual derivou. Porém, para júbilo dos fãs de terror, Annabelle 2: A Criação do Mal coloca a boneca endemoniada na galeria das figuras tenebrosas do cinema.

Desta vez, os produtores Peter Safran e James Wan confiaram a direção ao sueco David F. Sandberg, o mesmo do tenebroso Quando as Luzes se Apagam (Lights Out). A escolha de colocá-lo no posto anteriormente ocupado por Gary Dauberman surtiu efeito. Dauberman ficou encarregado do roteiro e acertou. Em quase duas horas, Annabelle 2 causa  um arrepio atrás do outro. Ao contrário do famoso Chucky, o Boneco Assassino, bastante caricato,  aqui a bonequinha dificilmente atrairá algum riso cômico ou de simpatia.

O princípio

O enredo mostra a origem da maldição que envolve Annabelle. Um grupo de meninas órfãs, acompanhadas de sua tutora, uma jovem freira (vivida pela atriz mexicana-americana Stephanie Sigman), encontra um lar em um velho casarão. Os donos da propriedade, os Mullins, interpretados pelos australianos Anthony La Paglia e Miranda Otto, são um casal amargurado pela perda da filha em um acidente trágico. Debilitada, a esposa não sai da cama e deixa as tarefas a cargo do marido, responsável por acolher as garotas e a religiosa.

Depois que uma das órfãs, Janice (Talitha Bateman), entra no quarto que pertenceu à filha dos Mullins e encontra uma boneca em um armário, o horror começa. A maratona de fenômenos sobrenaturais vai deixar aqueles espectadores mais sensíveis se perguntando quanto falta para o filme acabar. O medo certamente os acompanhará até o fim.

É certo que os efeitos especiais dão uma relevante ajuda para obtenção dos resultados assombrados de Annabelle 2, mas, como as boas obras do gênero, também se sustenta na qualidade da história, na direção frenética e na interpretação dos atores, com belo destaque para Talitha Bateman, que apesar de aparentar ser uma miúda já conta quase 17 anos.

Ao saírem das salas de exibição, provavelmente os que se impressionam fácil não irão olhar com a mesma naturalidade para certos tipos de bonecas. Que tal colocar uma Annabelle ao lado da sua cama?

 

Morre diretor de O Massacre da Serra Elétrica

Fotos: divulgação

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Os últimos dois anos foram cruéis para o cinema de terror. Em 2015, morreu Wes Craven. Em julho deste ano, perdemos George A. Romero. No sábado, 26 de agosto, quem partiu deste mundo foi Tobe Hooper, diretor de filmes como Poltergeist, Pague para Entrar, Reze para Sair e O Massacre da Serra Elétrica. Hooper faleceu aos 74 anos, de causas não divulgadas.

Tobe nasceu em Austin, no Texas, estado americano cujo nome apareceria em sua obra mais importante. Hooper dirigiu mais de 20 películas. Um de seus grandes sucessos é Poltergeist, de 1982, história de uma família aterrorizada por fenômenos paranormais que teve como um dos produtores e roteiristas ninguém menos que Steven Spielberg. Porém, Poltergeist está mais para uma aventura fantástica, dificilmente figurável em uma lista de clássicos do horror.

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Foi com O Massacre da Serra Elétrica (no original The Texas Chainsaw Massacre), em 1974, que Hooper deu sua melhor contribuição ao estilo. Nesta produção barra pesada, cinco jovens viajando por uma estrada acabam vítimas de um grupo de psicopatas antropófagos.

Inspirado no canibal Ed Gein, O Massacre da Serra Elétrica inovou com um terror ultra realista. A câmera se aproxima e passeia pelas cenas com tal desenvoltura que o espectador tem a sensação de se transportar para a trama sanguinária. A fotografia propositalmente estourada nas sequências diurnas e a pouca iluminação dos takes noturnos cria, ao lado da captação de som propositalmente tosca, uma atmosfera psicodélica em um ambiente de delírio pavoroso.

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Ressalte-se ainda a maquiagem bizarra que imortalizou o maníaco Leatherface com sua máscara feita de pele humana como um dos mais célebres personagens dos filmes de terror. Na época orçado em 300 mil dólares, O Massacre da Serra Elétrica virou blockbuster mundo afora e chegou a ser proibido em diversos países pelo conteúdo chocante. No Brasil mesmo, levou mais de uma década para chegar.

Hooper ainda dirigiu o segundo filme da franquia The Texas Chainsaw Massacre em 1986, sem alcançar o mesmo resultado e repercussão do original. Seu nome, no entanto, já estava registrado na história dos filmes de horror.

 

As viagens astrais de Frederaldo

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O ano de 1991 foi um dos mais marcantes em minha vida, pois, naquele tempo, fiz grandes amizades que permanecem até hoje. Entre estes brothers, Frederico Neves Condé, que possui nome artístico de Fredé Condé, mas a quem também chamo carinhosamente de Fred, Fredinho ou Frederaldo.

Fred tem o dom de conquistar as pessoas com seu carinho e amizade incondicionais. Possui um coração gigante. Psicólogo, se dedica à música nas horas vagas. Com ele aprendi muito sobre o que fazer com as sete notas. Para começar, Frederaldo sempre demonstrou ecletismo. Com a mesma naturalidade que puxava uma bossa nova bem suave de Tom Jobim ao violão, pegava a guitarra elétrica e metralhava um riff a la Slayer, banda que considera uma das melhores do mundo.

Para mim alguém que concilia a batida da bossa com o peso do thrash metal certamente está apto a experiências menos ortodoxas. Com essa perspectiva, em 1995, eu e Condé formamos a banda Greta Garbo. Inicialmente, criávamos canções em inglês. Depois, passamos a fazer músicas com letras em português, fundindo elementos brasileiros com rock pesado. Artisticamente não soava muito inovador, no entanto me divertia tocando com ele e outros camaradas, como o guitarrista Wellington Lopes, o baixista Marcelo Ledes e o baterista Cristóvão de Melo.

Não bastassem os talentos sonoros e psicológicos de Fredé, ele me surpreendeu em certa ocasião ao me revelar uma habilidade muito especial que o acompanha desde seus dias mais remotos. À noite, durante o sono, Frederaldo pratica um fenômeno que alguns definem como viagens astrais. O camarada deixa seu corpo e sai a passear pelo universo.

De início, confesso que fiquei descrente em relação a este super poder do meu grande amigo. No entanto, a convicção dele ao narrar seus passeios pelo cosmos me impressionou de tal forma que comecei a acreditar neste fato extraordinário.

Fred contava que, quando ainda residia na casa dos pais e dividia o quarto com o irmão, ao sair do corpo, seu espírito ficava a flutuar pelo ambiente. Nesses momentos espantosos, Fred olhava para baixo e via em uma cama o mano dormindo e na outra seu próprio corpo inconsciente.

Foto: arquivo pessoal de Frederico Condé

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Fredinho prestes a decolar

Noutra vez, revelou-me que sua alma passou a noite inteira saltando do sexto andar do edifício onde morava e voltando para cima voando, em uma prazerosa brincadeira. E o que dizer de quando se espalhou pelos céus de Brasília e avistou seus primos jogando vôlei no clube, numa manhã de domingo? Para sua surpresa, os parentes o avistaram e pediram para Fredinho descer e se integrar à partida, só que ele precisou voltar para pegar seu corpo em casa.

Mais episódios a respeito das trips etéreas de Frederaldo despertam interesse. Ele afirma que conhecia a casa de um vizinho sem nunca ter estado ali fisicamente. Ao invés disso, durante seu passeio noturno, atravessou a parede para conhecer o imóvel do outro morador.

Com o tempo, as viagens ficaram cada vez maiores. Uma noite, Frederaldo deixou a base corporal e se dirigiu à sua cidade natal, Cataguazes, em Minas Gerais, distante mais de mil quilômetros da capital do país. Porém, como o Super-Homem, mais rápido do que uma bala ou mesmo um boeing, Fred em instantes chegou a seu destino, não sem antes esbarrar pelos ares em uma senhora de vestido preto que ele acredita ter sido o fantasma de uma antiga moradora de Cataguazes.

Atualmente, diz que consegue sair do planeta Terra e viaja pelo nosso sistema solar e para fora da nossa galáxia. Astronautas americanos e russos relataram há poucos meses a impressão de verem de suas espaçonaves uma figura de cabelos claros, barba branca, camiseta do Slayer e calça jeans voando e acenando para eles. Teria sido uma alucinação?

Em 1997, na banda Greta Garbo, Fred criou uma música e eu pus letra homenageando este nobre irmão em suas odisseias imateriais. A canção se chama Pirated (lê-se pireited, que é a palavra pirado misturada com inglês). Sua letra dizia: “Eu vou voar. Vou sair do corpo. Eu vou flutuar. No espaço cósmico, singrando eu vou. Pegando fogo lá no rabo do cometa. Foi um raio de energia em que me transformei. Lá embaixo todo mundo me olhando e me acenando. Hey! Eu sei que andam dizendo que eu sou maluco, mas na verdade eu voo lá no espaço do absurdo. Se você pensa que o que eu falo é mentira, dá uma olhada na janela e vê se tu me espias, baby!”.

Minha salva de palmas para Frederico Condé, o Frederaldo, que descobriu um jeito mais econômico de voar do que o de milhagens. Quando chegar ao estágio dele, prometo que darei uma volta no Japão ou, quem sabe, em Marte.

Zarabataba: o MacGyver do cerrado vai de Berlim ao Agreste

Foto: arquivo pessoal de Alessio Alencar

Zarabataba

Trazer para o mundo dos textos o contato com personalidades incríveis e instigantes que conheci ao longo dos meus 47 anos é uma atividade para lá de divertida. Reviver fatos curiosos, acontecimentos engraçados e boas lembranças ativa a minha mente. Quero falar de um cidadão autêntico brasiliense que ganhou o mundo: Alessio Alencar, também conhecido como Zarabataba.

Descobri Alessio no começo dos anos 90, quando frequentávamos assiduamente o bar Beirute da Asa Sul, onde vira a quadra 109 para a 110. Ali, começaram a chamá-lo de Zarabataba devido a alguns gritos que ele dava, com uma voz extremamente grave: “Zarabataba, cara! Zarabataba, cara! Aê, cara!!!!”.

Camarada de excelente índole, companheiro para os mais diversos programas, de uma trilha ecológica a uma cervejada, Alessio se destaca pela generosidade e por ser extremamente prendado. Expert em serviços manuais, podemos comparar Zarabataba a MacGyver, famoso personagem da série de TV dos anos 80, interpretado pelo ator americano Richard Dean Anderson.

MacGyver, como alguns lembrarão, com parcos recursos que dispunha em situações de perigo, criava verdadeiras engenhocas para se livrar dos seus inimigos. Em um episódio, ele transformou um ventilador e umas tábuas em uma pequena aeronave e saiu voando.

Não tão espetaculoso como o herói da televisão, Alessio usa da criatividade para solucionar questões do cotidiano. Uma vez, precisávamos de gols para jogar futebol no campo da quadra, no sábado. Zarabataba rapidamente pegou pedaços de madeira e aqueles sacos de laranja de tecidos furados para construir as traves. Noutra, com uns canos velhos, montou um chuveiro no meio do cerrado, perto da casa de sua irmã. E não é que funcionou.

Em 1998, Alessio Zarabataba deixou Brasília para morar na Alemanha. Foi muito curioso, pois eu estava em Berlim a trabalho e, de repente, esbarro com ele na rua, sem ter marcado nada. Começavam ali as peripécias do meu amigo pela capital alemã, onde vive até os dias atuais, entre o trabalho árduo e o lazer pela noite berlinense.

Com um semblante que lembra demais o cantor Iggy Pop, Zarabataba, certa vez usando uma camiseta apertada e cabelos longos, se viu confundido com o lider dos Stooges em uma festa. Um alemão olhou para ele e disse: “Iggy Pop! Iggy Pop!”.

Na Alemanha, Zarabataba conheceu sua amada Antina, com quem tem uma filha, Ava, de seis anos. Recentemente, a família resolveu se dividir entre a Alemanha e o Brasil, agora apostando no agronegócio. Mudaram-se para o interior de Pernambuco e se dedicam à produção de gêneros alimentícios saudáveis para levar à mesa do nosso povo.

Dizem que Alessio continua utilizando suas técnicas macgyverianas e constrói moendas a partir de sucatas retiradas de ferros-velhos e transforma bagaço de cana em artesanato, contribuindo assim para um mundo mais sustentável.

E quando vem o pôr do sol no agreste, ele vai para a porteira da sua propriedade, tira o chapéu de palha que agora integra seu visual, agita para o alto e seu grito ecoa: “Zarabataba, Zarabataba. Iggy Pop. Iggy Pop!”.

Arre!

 

 

 

 

 

O Mundo Encantado de Léo Punk

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Há cerca de 27 anos, conheci uma das figuras mais interessantes que já passaram por este planeta: Leonardo Figueiredo, mais conhecido no circuito underground como Léo Punk. Figueiredo ganhou este apelido por várias razões que o associam ao célebre movimento que estourou no Reino Unido – e depois no mundo – na segunda metade da década de 70.

Visualmente, usava cabelos curtos, longos casacos pretos e coturnos que o faziam lembrar um integrante do Siouxsie and the Banshees. Musicalmente, era apreciador do melhor punk rock da praça, fã de grupos como Sex Pistols, Ramones, Clash, The Damned, Exploited, GBH e Dead Kennedys. Curtia ainda a pancadaria nacional de bandas da estirpe de Ratos de Porão, Garotos Podres e Olho Seco.

Mas também gostava de outros gêneros, como o metal, sendo grande admirador do cantor dinamarquês King Diamond. Lembro dele traduzindo todos os enredos sobrenaturais dos discos do vocalista mascarado e narrando peripécias fantásticas envolvendo o artista. Gostava de algumas simbologias que Léo Punk criava. “Salomão (apelido que eu tenho desde a adolescência), as bandas que eu mais curto são King Diamond e Dead Kennedys, cujas abreviações são KD e DK. Olha isso! Pirado, não é?”, dizia.

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Acho que é, principalmente, por sua postura inconformista e anárquica que este jovem recebeu a alcunha de Léo Punk. Em rodas de conversa pelas quadras de Brasília, ou numa mesa de bar, de dia ou na madrugada, Léo sempre desfilou seus comentários extremamente sarcásticos e críticos sobre a política, a sociedade de consumo, a religião, as tradições familiares, o preconceito, o machismo, a propriedade e tudo mais. Nada escapa do seu crivo. Costumo a lhe dizer que deve escrever um livro para registrar sua visão ácida sobre o ser humano.

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Nem de esquerda, nem de centro e nem de direita, Léo dispara sua impiedosa metralhadora verborrágica constantemente contra os homens de colarinho branco. Recentemente, ao se referir ao recesso parlamentar do Congresso Nacional, teceu a seguinte consideração: “Esta semana, começa o indulto de férias do Congresso! 513 deputados e 81 senadores soltos. Não saiam de casa e fechem bem as portas”. Sacou?

Há alguns anos, Léo Punk deixou Brasília e se mudou para São Paulo. Na grande metrópole brasileira, trabalha como designer de interiores. Nem por isso para de expor suas ideias revolucionárias pela web. Acompanho suas postagens no Facebook, que surgem num ritmo alucinante, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, eternamente. Léo deixou saudades na capital do país, onde frequentemente era visto incitando seus jovens e inúmeros seguidores a romper com o marasmo. “Tem que produzir, galera! Tem que produzir”, afirmava.

É isso aí, autêntico agitador brasiliense, do Mundo Encantado de Léo Punk para a realidade do dia a dia.

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Marcelo Araújo é autor dos livros Não Abra – Contos de Terror, Pedaço Malpassado, A Maldição de Fio Vilela, A Testinha de Gabá e Casa dos Sons. Também publicou textos em na revista Bacanal Volume 2 e no fanzine Lobotomia Volumes 1 e 4.

 

 

 

Fanzine é a cara da independência

Capa do zine Quarta Lobotomia. Fonte: reprodução

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Criada há quatro anos pelos escritores e artistas plásticos Luiz Reis e Fábio Lucas Vieira, a editora Nautilus tem apostado no mercado independente, lançando novos autores em livros individuais ou coletâneas. Em tempos de crise econômica, com o dinheiro rareando, a solução para o segmento mais alternativo pode estar em tiragens menores e com menos custos, como os tradicionais fanzines. Com uma perspectiva de aliar parcimônia de recursos à criatividade, o selo publica a Quarta Lobotomia, com textos e desenhos de vários autores. Tive o privilégio de participar com um conto de terror inédito, O Menino que Maltratava Bichos.

Como  o próprio título diz, trata-se do quarto número da série de zines Lobotomia, organizada pelo Luiz Reis e Fábio Lucas, com direção de arte, capa e diagramação do próprio Fábio. Os textos apresentam formato livre, em prosa ou verso. A publicação toda instiga. Chamou-me muito a atenção a ilustração da Morgana Mastrianni, em que insetos e aracnídeos saem das bocas de três cabeludos meio Ramones. Surreal! Outro desenho chocante é o Brain Dead, do Rafael Araújo, com um zumbi exibindo sua dentição.

O Luiz Reis, como sempre, surpreende com sua revolução de palavras e desenhos “esquisofrenéticos” numa conjunção de imagem e letras. Outras ilustrações dele se manifestam pelas páginas da Lobotomia. Já o Fábio Lucas retorna com dois textos em uma linha que eu chamaria de horror existencial, em que personagens passam por tormentos em suas buscas por sabe-se lá o quê.

Não vou deixar de falar da minha quarta colaboração com a Nautilus, após o livro Casa dos Sons e de contos na revista Bacanal Volume 2 (Bananada e Bananeira) e no primeiro Lobotomia (Papa-Figo). Desta vez, relato a experiência nada agradável que um menino malvado que tortura bichos passará. Definiria essa história como um terror ecológico. Agradeço mais uma vez ao Luiz e ao Fábio pela oportunidade de marcar presença num projeto da Nautilus.

Também participam da Quarta Lobotomia Thiago Castro, Ágata Benício, Tairo Lama, Marcelo Bousada, Claudia Corte, Natália C. e Marina Nito. Quem se interessar pelo zine pode entrar em contato com a moçada pelo Facebook, na página da Nautilus.

https://www.facebook.com/editoranautilus/

Indico ainda o Zinestesia Vol. 1, um fanzine com texto e desenhos feitos pelo Luiz Reis em processo totalmente artesanal. O tema são 4 Maneiras de Esquecer – Manual para Lidar com o Desespero. Bem punk. Maaaaaasssa, caaaara!!!!!