Morre diretor de O Massacre da Serra Elétrica

Fotos: divulgação

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Os últimos dois anos foram cruéis para o cinema de terror. Em 2015, morreu Wes Craven. Em julho deste ano, perdemos George A. Romero. No sábado, 26 de agosto, quem partiu deste mundo foi Tobe Hooper, diretor de filmes como Poltergeist, Pague para Entrar, Reze para Sair e O Massacre da Serra Elétrica. Hooper faleceu aos 74 anos, de causas não divulgadas.

Tobe nasceu em Austin, no Texas, estado americano cujo nome apareceria em sua obra mais importante. Hooper dirigiu mais de 20 películas. Um de seus grandes sucessos é Poltergeist, de 1982, história de uma família aterrorizada por fenômenos paranormais que teve como um dos produtores e roteiristas ninguém menos que Steven Spielberg. Porém, Poltergeist está mais para uma aventura fantástica, dificilmente figurável em uma lista de clássicos do horror.

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Foi com O Massacre da Serra Elétrica (no original The Texas Chainsaw Massacre), em 1974, que Hooper deu sua melhor contribuição ao estilo. Nesta produção barra pesada, cinco jovens viajando por uma estrada acabam vítimas de um grupo de psicopatas antropófagos.

Inspirado no canibal Ed Gein, O Massacre da Serra Elétrica inovou com um terror ultra realista. A câmera se aproxima e passeia pelas cenas com tal desenvoltura que o espectador tem a sensação de se transportar para a trama sanguinária. A fotografia propositalmente estourada nas sequências diurnas e a pouca iluminação dos takes noturnos cria, ao lado da captação de som propositalmente tosca, uma atmosfera psicodélica em um ambiente de delírio pavoroso.

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Ressalte-se ainda a maquiagem bizarra que imortalizou o maníaco Leatherface com sua máscara feita de pele humana como um dos mais célebres personagens dos filmes de terror. Na época orçado em 300 mil dólares, O Massacre da Serra Elétrica virou blockbuster mundo afora e chegou a ser proibido em diversos países pelo conteúdo chocante. No Brasil mesmo, levou mais de uma década para chegar.

Hooper ainda dirigiu o segundo filme da franquia The Texas Chainsaw Massacre em 1986, sem alcançar o mesmo resultado e repercussão do original. Seu nome, no entanto, já estava registrado na história dos filmes de horror.

 

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As viagens astrais de Frederaldo

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O ano de 1991 foi um dos mais marcantes em minha vida, pois, naquele tempo, fiz grandes amizades que permanecem até hoje. Entre estes brothers, Frederico Neves Condé, que possui nome artístico de Fredé Condé, mas a quem também chamo carinhosamente de Fred, Fredinho ou Frederaldo.

Fred tem o dom de conquistar as pessoas com seu carinho e amizade incondicionais. Possui um coração gigante. Psicólogo, se dedica à música nas horas vagas. Com ele aprendi muito sobre o que fazer com as sete notas. Para começar, Frederaldo sempre demonstrou ecletismo. Com a mesma naturalidade que puxava uma bossa nova bem suave de Tom Jobim ao violão, pegava a guitarra elétrica e metralhava um riff a la Slayer, banda que considera uma das melhores do mundo.

Para mim alguém que concilia a batida da bossa com o peso do thrash metal certamente está apto a experiências menos ortodoxas. Com essa perspectiva, em 1995, eu e Condé formamos a banda Greta Garbo. Inicialmente, criávamos canções em inglês. Depois, passamos a fazer músicas com letras em português, fundindo elementos brasileiros com rock pesado. Artisticamente não soava muito inovador, no entanto me divertia tocando com ele e outros camaradas, como o guitarrista Wellington Lopes, o baixista Marcelo Ledes e o baterista Cristóvão de Melo.

Não bastassem os talentos sonoros e psicológicos de Fredé, ele me surpreendeu em certa ocasião ao me revelar uma habilidade muito especial que o acompanha desde seus dias mais remotos. À noite, durante o sono, Frederaldo pratica um fenômeno que alguns definem como viagens astrais. O camarada deixa seu corpo e sai a passear pelo universo.

De início, confesso que fiquei descrente em relação a este super poder do meu grande amigo. No entanto, a convicção dele ao narrar seus passeios pelo cosmos me impressionou de tal forma que comecei a acreditar neste fato extraordinário.

Fred contava que, quando ainda residia na casa dos pais e dividia o quarto com o irmão, ao sair do corpo, seu espírito ficava a flutuar pelo ambiente. Nesses momentos espantosos, Fred olhava para baixo e via em uma cama o mano dormindo e na outra seu próprio corpo inconsciente.

Foto: arquivo pessoal de Frederico Condé

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Fredinho prestes a decolar

Noutra vez, revelou-me que sua alma passou a noite inteira saltando do sexto andar do edifício onde morava e voltando para cima voando, em uma prazerosa brincadeira. E o que dizer de quando se espalhou pelos céus de Brasília e avistou seus primos jogando vôlei no clube, numa manhã de domingo? Para sua surpresa, os parentes o avistaram e pediram para Fredinho descer e se integrar à partida, só que ele precisou voltar para pegar seu corpo em casa.

Mais episódios a respeito das trips etéreas de Frederaldo despertam interesse. Ele afirma que conhecia a casa de um vizinho sem nunca ter estado ali fisicamente. Ao invés disso, durante seu passeio noturno, atravessou a parede para conhecer o imóvel do outro morador.

Com o tempo, as viagens ficaram cada vez maiores. Uma noite, Frederaldo deixou a base corporal e se dirigiu à sua cidade natal, Cataguazes, em Minas Gerais, distante mais de mil quilômetros da capital do país. Porém, como o Super-Homem, mais rápido do que uma bala ou mesmo um boeing, Fred em instantes chegou a seu destino, não sem antes esbarrar pelos ares em uma senhora de vestido preto que ele acredita ter sido o fantasma de uma antiga moradora de Cataguazes.

Atualmente, diz que consegue sair do planeta Terra e viaja pelo nosso sistema solar e para fora da nossa galáxia. Astronautas americanos e russos relataram há poucos meses a impressão de verem de suas espaçonaves uma figura de cabelos claros, barba branca, camiseta do Slayer e calça jeans voando e acenando para eles. Teria sido uma alucinação?

Em 1997, na banda Greta Garbo, Fred criou uma música e eu pus letra homenageando este nobre irmão em suas odisseias imateriais. A canção se chama Pirated (lê-se pireited, que é a palavra pirado misturada com inglês). Sua letra dizia: “Eu vou voar. Vou sair do corpo. Eu vou flutuar. No espaço cósmico, singrando eu vou. Pegando fogo lá no rabo do cometa. Foi um raio de energia em que me transformei. Lá embaixo todo mundo me olhando e me acenando. Hey! Eu sei que andam dizendo que eu sou maluco, mas na verdade eu voo lá no espaço do absurdo. Se você pensa que o que eu falo é mentira, dá uma olhada na janela e vê se tu me espias, baby!”.

Minha salva de palmas para Frederico Condé, o Frederaldo, que descobriu um jeito mais econômico de voar do que o de milhagens. Quando chegar ao estágio dele, prometo que darei uma volta no Japão ou, quem sabe, em Marte.