Guia turístico da Fantasmolândia

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Marcelo Araújo

Já entrou em algum lugar onde passou por uma experiência fora do comum, como sentir que estava sendo observado ou avistar uma aparição? Quase cem locais com essa característica compõem o Livro Histórias Assustadoras – 96 casos Paranormais, lançamento da On line Editora.

A publicação tem como mote apresentar ambientes mal assombrados no mundo inteiro. Destaca entre as terras com mais roteiros países tradicionalmente conhecidos como redutos de fantasmas: Estados Unidos, Inglaterra, Escócia e Irlanda.

Amityville

A lista traz a famosa Casa de Amityville, no estado americano de Nova York, palco de assassinatos e fenômenos paranormais na década de 70 que inspiraram a série de filmes Horror em Amityville. Hospícios e sanatórios abandonados também aparecem no livro como locais de atividades incomuns, caso do Hospital Mental de Athens, no estado de Ohio. Centro de experiências nada humanistas, como lobotomias, o hospital é citado por moradores das imediações, que escutam supostas vozes e choros de almas penadas.

O Reino Unido não poderia ficar de fora do livro com seus ancestrais castelos, nos quais outrora aconteceram combates sangrentos, torturas e diversos crimes, fatos responsáveis pelo surgimento de espíritos que não descansam. Caso do Castelo de Chillingham, na Inglaterra, que seria habitado pela assombração de John Sage, carrasco responsável pela morte de centenas de vítimas, principalmente escoceses.

Fantasmas tupiniquins

O Brasil marca presença na obra com seus espectros tropicais, como Ana Jansen, senhora de terras no Maranhão do século 19 e famosa pela crueldade com os escravos. Eu, que morei nesse estado na década de 70, lembro que falavam que Ana saía pelas noites de São Luís em sua carruagem fantasmagórica, acompanhada de espíritos dos escravos. Medonho!

Entre os casos brasucas temos o Edifício Joelma, na avenida Nove de Julho, em São Paulo. Os mais velhos lembrarão desse prédio que pegou fogo em 1974, num incêndio que custou a vida de 188 pessoas. Atualmente rebatizado como Praça da Bandeira, o edifício abrigaria em suas dependências as assombrações da gente que perdeu a vida na tragédia. O incêndio inspirou em 1979 o filme Joelma 23 Andar, de Clery Cunha e protagonizado por Beth Goulart. A película é inspirada em um livro do médium Chico Xavier e aborda o ponto de vista de uma moça que pereceu nos andares superiores.

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A tragédia do Joelma já inspirou até filme espírita

Sensacionalismo e erros

O Livro Histórias Assustadoras tem seu mérito pela pesquisa que culminou nesse guia turístico dos territórios mal assombrados, no entanto o trabalho peca às vezes por carregar nas tintas em alguns casos, com teor nitidamente sensacionalista.

Alguns relatos são envolventes, outros, mais fracos apresentam erros gritantes de informação. Como exemplo, cito o texto do Edifício Dakota, em Nova York, onde Roman Polanski rodou o Bebê de Rosemary, em 1968.

O autor (que não consegui descobrir quem é, pois não vem identificado na capa) tira uma história louca de sei lá da onde falando que a atriz Krzysztof Komeda passou mal depois de fazer o filme e morreu de um coágulo no cérebro. Alô, amigos: Krzysztof Komeda, maravilhoso pianista polonês de jazz e compositor, era o autor da trilha sonora do filme. Até onde sei nenhuma filha dele trabalhou em O Bebê de Rosemary. De fato, o próprio Komeda morreu vítima de um problema no cérebro, em 1969, como sequela de um acidente de carro sofrido em Los Angeles. Agora relacionar mortes com maldições por participar de um filme soa exagerado.

Outro erro absurdo é dizer que John Lennon foi assassinado, em Nova York, num edifício homônimo. Não foi. Mark Chapman matou o ex-beatle no mesmo Dakota em que Mia Farrow protagonizou o Bebê de Rosemary, ali de frente para o Central Park.

Erros à parte, o livro me despertou o interesse de, quando passar perto de alguns dos lugares citados, no Brasil ou no exterior, fazer uma visita. Alguém se aventura?

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