O Chamado versus O Grito é assustadoramente ruim

Foto: divulgação

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Marcelo Araújo

Crossovers de filmes de terror tendem mais ao cômico do que para o assustador, como se nota em Freddy Versus Jason ou Predador Versus Alien. O japonês O Chamado Versus O  Grito ou Sadako Versus Kayako, dirigido por Kōji Shiraishi, engrossa essa lista, dando ares trash a obras outrora horripilantes.

Na virada da década de 90 para a de 2000, o cinema oriental revigorou o gênero do horror. Dois títulos capitanearam o movimento, Ringu, de Hideo Nakata, e Ju-On, de Takashi Shimizu, que destacavam como vilãs, respectivamente, os fantasmas de Sadako e Kayako. O Chamado e O Grito (como são conhecidos no Brasil) eram realmente aterrorizantes e  capazes de tirar o sono dos mais impressionáveis. Então, vieram sequências e remakes americanos, com estrondoso sucesso internacional.

Ao que parece, a fórmula se esgotou. A ideia de juntar duas franquias em uma única fita mostra que os detentores dessas marcas chegaram a uma encruzilhada e não sabem que rumo tomar.

Em O Chamado Versus O Grito, moradores de Tóquio se deparam com duas famosas lendas urbanas relacionadas a maldições em uma gravação de videocassete e numa casa onde ocorreram crimes brutais. A partir dessas experiências, os incidentes contribuem para encontro e combate entre as entidades.

Erros conceituais

Há muitos problemas no filme, a começar pelo enredo, que atropela bastante o histórico tanto de Ringu quanto de Ju-On. Enquanto na série de Sadako, a maldição da fita diz que quem assiste morrerá em uma semana, em O Chamado Versus O Grito o tempo fica abreviado em dois dias. O poço de onde Sadako sai, antes situado numa ilha, vai parar perto da casa de Kayako, na capital nipônica. Ainda erram feio sobre Ju-On quando um dos personagens diz que Takeo Saeki matou a esposa Kayako esfaqueando-a. No original, ele tira a vida da mulher quebrando seu pescoço. Takeo, por sinal, não nos dá honra de sua aparição maléfica.

Fora essas falhas, o elenco é fraco e a direção, capenga. O professor que escreve sobre lendas urbanas e a dupla de paranormais que combate os espíritos malignos abusam de maneirismos. Estão mais para o programa dos Trapalhões do que para uma película sobrenatural.

No momento em que um novo Chamado made in USA estreia pelo mundo, os cineastas de terror do Extremo Oriente talvez devessem pensar em produzir mais histórias originais ao invés de desenterrarem cadáveres que já nem assustam tanto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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