Jim Benzina

Texto e desenho: Marcelo Araújo

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Segue texto que acabei de produzir, sobre um roqueiro fictício, seguindo uma linha de criar textos inspirados nos meus próprios desenhos

Jim Benzina tem 35 anos e está no rock há mais de 20, desde que formou a sua primeira banda. Dali em diante, sua vida foi só diversão.

Começou a escutar rock’n’roll estimulado por um primo mais velho, que o apresentou a uma série de sons. Quase explodiu quando ouviu pela primeira vez o disco de estreia dos Stooges, com 1969 e I Wanna Be Your Dog. Ficou em êxtase, parado, babando no vocal de Iggy Pop e naquela guitarra supersônica distorcida.

Ao longo da sua carreira, iria criar uma mistura pesada de sons como punk, rock psicodélico, gótico, heavy metal e glam. Vieram Cream, Iron Butterfly, Velvet Underground, Blue Cheer, The Sonics, MC5, New York Dolls, The Troggs, Black Sabbath, Motörhead, Dead Kennedys, Sonic Youth, Ramones, Bauhaus e vários outros, em LPs e CDs comprados nas lojas de discos de sua cidade e por onde viajava. “Foi uma época mágica na minha vida, ouvindo muita coisa fantástica com os meus amigos”, fala.

Jim não se contentou apenas em ouvir música. Queria fazer as suas próprias canções. Fez o pai comprar um violão, que conseguiu aprender com amigos, como Léo Punk, que lhe ensinou os acordes. O cantor lembra que havia revistas vendidas nas bancas de jornal que traziam cifras de músicas para serem tocadas, porém ele não gostava de nenhum artista que aparecia nessas publicações.

O próximo passo foi conseguir uma guitarra elétrica. A primeira que teve, uma laranja lembrando vagamente uma Fender Stratocaster, era de uma fábrica obscura, porém dava pra tirar um som legal, bem pesado e ruidoso.

Com uma dúzia de canções escritas, decidiu montar a própria banda, The Stupid, que fazia referência ao disco The Idiot, do ídolo Iggy Pop. O grupo tinha Jim Benzina no vocal e guitarra, Léo Punk na guitarra, João Grandão na bateria e Zé Bigorna no baixo. Em pouco tempo, estavam tocando no circuito de bares locais, misturando essas músicas do vocalista a covers de bandas como Stooges, Sabbath e Iron Butterfly.

Até então o vocalista se chamava apenas Jim. Aí os ensaios começaram a ser regados com aditivos, como cachaça barata, cigarros, vez ou outra um baseado. Ganhou o apelido de Jim Benzina no dia em que alguém chegou com uma lata dessa substância Depois de cheirar o líquido ficou tão maluco que começou a falar um monte de frases loucas do tipo “Morrer é um atraso de vida”. Não usou muito mais aquele treco só que a substância acabou incorporada ao nome artístico, que se tornou Jim Benzina. E ele gostou disso. “Soa bem”, falava, sem se preocupar com o que os outros pensariam a respeito.

O Stupid durou dois anos e acabou porque dois deles tiveram de ir para a faculdade. Jim Benzina e Léo Punk, os remanescentes, criaram o Crow, junto a mais dois malucos. Faziam um som gótico, com letras inspiradas em filmes de terror, com títulos engraçados como Willie the Werewolf, Midnight Vampires e Lucille the Ghost.

Desde os 28 anos, Jim Benzina está em carreira solo. Nessa década de atividades individuais, lançou três álbuns: Jim Benzina, The Songs of Benzina e Benzitrate. “Para mim tudo soa muito natural. Ser selvagem é natural. Não tenho a pretensão de planejar nada”, desabafa.

Mesmo pouco conhecido, Jim Benzina já fez turnês pelo país e até no exterior. Consegue viver dos shows e das vendas de camisetas e discos. No momento, compõe a trilha sonora de um filme de terror chamado A Casa dos Espíritos Atormentados. “Isso será um barato porque eu adoro filmes de terror. Quem acompanha minha carreira desde o início sabe o quanto já escrevi canções nessa onda”, conta.

Quando perguntado sobre os aditivos que o acompanharam, Jim dá a entender que pisou no freio. “Cara, hoje estou mais numa de tomar umas latinhas de cerveja. Não consegui parar de fumar. Mas fico relax. O importante é estar sempre na ativa, compondo, criando, cantando. Me aguardem, pois ainda vai ter muita Benzina nas suas vidas”, diz, sempre com sarcasmo no rosto.

 

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