Os oprimidos se levantam

Fotos: divulgação

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Marcelo Araújo

O Nascimento de uma Nação, dirigido e estrelado pelo ator americano Nate Parker, é um dos melhores filmes dedicados a falar do vil e execrável regime escravocrata, grande vergonha na história da humanidade. A produção resgata a trajetória de Nat Turner, homem que liderou uma rebelião de escravos contra os brancos em 1831.

Em um ato de ironia, a obra de Nate Parker tem o mesmo título da que D.W. Griffith realizou em 1915. Mas as semelhanças param aí. Inegavelmente revolucionário do ponto de vista da linguagem cinematográfica, O Nascimento de uma Nação de Griffith calcava seu enredo no racismo, enaltecendo a aristocracia sulista e transformando os negros em vilões. Um verdadeiro absurdo!

No novo Nascimento de uma Nação, Nate Parker mostra a brutalidade do tratamento imposto aos escravos negros nas fazendas do Sul dos Estados Unidos – da exploração sexual, passando por humilhações sem fim, à tortura. Nesse cenário, cresce Nat Turner, que cai nas graças da família proprietária da fazenda em que vive. A dona da casa o educa e o introduz na fé cristã. Ao crescer, o protagonista vira pastor protestante. Seu senhor e amigo de infância, usa inescrupulosamente o religioso para faturar. Leva Nat de fazenda em fazenda para que ele faça sermões com o intuito de pacificar escravos rebeldes.

A missão imposta a Turner não dura tanto. Ele se indigna com a tarefa de contribuir para que os negros fiquem cada vez mais submissos aos aristocratas. A gota d’água acontece após o estupro da sua própria esposa e de outra escrava pelos brancos e após ser violentamente punido por seu senhor. A exemplo de um Moisés, criado entre os egípcios e que depois se rebela para salvar seu povo, Nat se volta contra a casa grande e a senzala, transformando-se em um líder que sai pelas propriedades libertando escravos e matando os escravocratas.

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O Nascimento de uma Nação tem vários méritos, como o roteiro, as atuações, a fotografia – que em alguns cenários parece formar uma pintura romântica – e a trilha sonora, composta de cantos ancestrais, gospel e Nina Simone. Artista com a vida marcada pelo racismo, as interpretações de Nina sempre caem com perfeição em películas que enfocam a temática do preconceito e da opressão.

Lamentamos apenas que a carreira do filme tenha sido comprometida por ocorrências fora dos sets. Inicialmente cotado como promessa ao Oscar, O Nascimento de uma Nação acabou boicotado após virem à tona denúncias do envolvimento de Nate Parker no estupro de uma universitária em 1999. O fato de ser inocentado não impediu o surgimento de uma polêmica, com as pessoas relacionando o caso real de Parker justamente aos estupros que ocorrem no drama histórico. Uma pena pois a obra  realmente emociona e faz pensar sobre um tempo nefasto que, infelizmente, ainda deixa fortes sequelas, nos Estados Unidos e no Brasil, países onde acontecem enormes violações aos direitos da população afrodescendente.

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