A juventude quase eterna de Iggy Pop

pop

Marcelo Araújo

Há entre os roqueiros aqueles que dão guinadas rumo a um som mais comercial para ampliar o saldo da conta ou os que ficam burocraticamente a reciclar seu legado, sem coragem de ousar um milímetro, vivendo das glórias passadas. Perto de completar 70 anos de idade e com mais de 50 de carreira, principal membro de uma das bandas mais influentes da história, The Stooges, Iggy Pop sempre passou longe dos acomodados. Continua a todo vapor. Não poderia ser diferente com Post Pop Depression, 17º álbum do cantor e uma das belas surpresas deste ano de 2016. Sei que faz um tempo que esse disco saiu, mas não pude deixar de escrever sobre ele.

A ousadia das escolhas de Iggy Pop em seu último disco já se reflete na escolha do produtor do disco, Josh Homme, guitarrista do Queens of the Stone Age, que também integra a banda. O grupo de base se completa com Dean Fertita no baixo, outro membro do Queens of the Stone Age, e Matt Helders, batera pesado do Arctic Monkeys.

A produção de Josh aposta na mescla de timbres de rock mais tradicional com cores modernas. Os elementos elétricos são valorizados nas guitarras, alternados com o acústico em violões, uma orquestração elegante e até evocações orientais. A potência e emoção do canto de Iggy permanecem com as suas múltiplas facetas – blueseiro, punk, gótico, psicodélico, soul, poético, cool, furioso. Às vezes, a sonoridade traz flashes de álbuns dos anos 70 como The Idiot e Lust for Life. Em outros instantes, o padrinho do punk se aproxima de bandas contemporâneas que tanto influenciou, como os próprios Queens of the Stone Age e Arctic Monkeys.

O velho iguana em sua carreira nunca gravou um disco sem importância. Por todas as fases que atravessou, sempre deixa pérolas espalhadas para os ouvintes. Neste CD não seria diferente. Temos clássicos popeanos instantâneos, crônicas viscerais da humanidade, como Chocolate Drops, Paraguay, Gardenia e In the Lobby.

Bem que Iggy podia realizar uma turnê comemorativa dos seus 70 anos, em 2017, e nos fazer o magnífico favor de passar pelo Brasil mais uma vez. Afinal, para ele a velhice parece nunca chegar e nem afetar seus discos e shows. Melhor para nós, fãs, que ganhamos com esta juventude quase eterna.

 

 

 

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