Poesia na bagagem

Foto: Mônica dos Santos Costa Ferreira

glauber

Glauber Vieira, Ferreira, ao centro, comigo e a jornalista Michelle Souza

Há pouco tempo, por meio das redes sociais, Instagram e depois Facebook, passei a manter contato com o escritor Glauber Vieira Ferreira, mineiro de Varginha radicado em Brasília. Mais do que um canal para se postar fotos ou comentários, acho que esses novos veículos têm possibilitado ampliar fronteiras, divulgando nosso trabalho e mantendo contato com artistas de tantos lugares, do Brasil e de fora. Cito, além do Glauber, o Andreas Noras, carioca que vive em São Paulo, a também carioca Anna Duarte e a paulista Cristiane de Farias (Morphine Epiphany) como felizes encontros ocorridos pela web. Prometo, em futuras ocasiões, falar do trabalho destes autores.

Voltando ao Glauber, ele acaba de lançar seu segundo livro, Poesia Estradeira, no qual os versos se inspiram em viagens do escritor por nosso planeta ou a lugares aos quais gostaria de ir. Gentilmente, o poeta me enviou o convite para a sessão de autógrafos, no restaurante Carpe Diem, espaço onde, eu mesmo, fiz lançamentos. Foi num sábado, dia 3 de dezembro. O primeiro livro de Glauber, “Mosaicos”, saiu em 2015 e traz minicontos sobre problemas sociais, a natureza e textos humorísticos

capaestradeira

Fui com minha esposa Michelle, jornalista, do blog Ela Fala dos Bastidores. Tivemos a oportunidade de conhecer Glauber pessoalmente, bem como a sua esposa, Mônica. Casal extremamente simpático. Para minha adorável surpresa, Vieira trazia consigo um exemplar da primeira edição do meu primeiro livro – já esgotada -, Não Abra – Contos de Terror, que tive a honra de autografar. Ambos lançamos pela Thesaurus Editora, selo do português Victor Alegria.

Poesia Estradeira se revela como bela surpresa na cena poética atual. Portugal, Chapada dos Veadeiros, São Miguel das Missões (RS), Amsterdam, Goiás Velho, Chapada Diamantina, Serra Pelada e tantos outros lugares se encontram nos versos de Glauber Vieira Ferreira. Achei muito interessante que sua poesia tenha ares de crônica. O autor não descreve simplesmente as terras que visitou, mas fala delas com emoção e jeito de contador de histórias, figura que simboliza um pouco das riquezas culturais brasileiras. Quando escreve sobre Alto Paraíso, cidade que confesso que ainda não conheço, sinto a percepção do cheiro do mato e das belas visões da natureza.

Podia escrever parágrafos inteiros sobre vários textos de Poesia Estradeira, porém acho melhor deixar que o leitor os descubra. Cito apenas alguns, como Cataratas do Iguaçu (“Um monstro com pele de água que se reproduz dia a dia, hora a hora, e uma garganta que grita o mesmo som, a mesma fúria, desde o início dos tempos”); Canudos (“Será preciso outra guerra ou outro açude para encarar, de novo, olho no olho, Canudos?”) e Museu de Anne Frank, em Amsterdam, memorial dedicado à menina judia e a sua família, vítimas do Holocausto nazista. Nestes versos, Glauber comenta seu desconforto perante a atitude de pessoas que tiram selfies alegres que nada condizem com o peso emocional desse tipo de ambiente.

Há, ainda, os locais pelos quais o poeta não passou, mas gostaria de visitar, como Cuba. Enquanto isso não acontece, deixa versos anunciando sua intenção de conhecer o país insular: “Um dia ainda vou a Cuba. Não apenas para o mojito do Bodeguito del Medio (…). Quiçá entenda melhor o embargo, as dificuldades do povo, as fugas para a Flórida. E também a ditadura, e tudo o que dela advém (…)”.

Então, só posso lhes desejar uma coisa: adquiram seus exemplares e façam uma boa viagem!

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