Entre os vivos e os mortos

Foto: divulgação

jim-jacobs

Jim Morrison? Não, Jim Jacobs!

 

Marcelo Araújo

O líder religioso americano Jim Jones entrou para a história por incentivar o suicídio de mais de 900 pessoas, que faziam parte do culto Templo dos Povos, em Jonestown, na Guiana, no ano de 1978. De alguma forma, essa tragédia inspira The Veil (O Véu), filme de terror dirigido pelo californiano Phil Joanou, o mesmo que em 88 realizou Rattle and Hum, documentário com a banda irlandesa U2.

Nesta obra de ficção, Jim Jones dá lugar a Jim Jacobs, numa ótima interpretação de Thomas Jane. Na verdade, o personagem está mais para uma versão diabólica de Jim Morrison do que para o Reverendo Jones. Trata-se de um guru com poderes sobrenaturais que forma a seita Heaven’s Veil (Véu do Céu) em uma velha propriedade rural. Jacobs tenta romper elos entre a vida e a morte, indo e voltando do além. Misteriosamente, acaba perecendo junto com seus seguidores.  Apenas uma criança sobrevive, encontrada pela polícia.

Vinte e cinco anos mais tarde, Sarah, vivida por Lily Rabe, do seriado American Horror Story, retorna ao local fatídico, acompanhada de uma equipe de documentaristas liderados por Maggie Price (Jessica Alba). Maggie e seu irmão, que está na trupe, também tiveram suas vidas dilaceradas pelo incidente de horror. Seu pai, chefe dos agentes que encontraram os cadáveres, suicidou-se meses após o fato macabro.

Após se instalar nas antigas terras da Heaven’s Veil, o grupo encontra em uma casa fitas de vídeo com as experiências espirituais de Jim Jacobs. Enquanto vão assistindo às antigas imagens e descobrindo os segredos por trás dos supostos suicídios, os jovens terminam se deparando com ocorrências sobrenaturais, que trazem um perigo além da compreensão.

Phil Joanou fez uma obra-prima ao combinar a atmosfera de misticismo de cultos como o de Jim Jones ao terror. Muito inteligente relacionar o horror real, do fundamentalismo religioso, capaz de levar os homens a cometerem qualquer ato, a elementos sobrenaturais fantasmagóricos. E o que dizer da performance de Thomas Jane como o líder Jim Jacobs, com trejeitos e oratória claramente inspirados no célebre líder dos Doors? Fantástico.

Com direito a ótimos sustos, The Veil conduz o espectador a uma viagem tortuosa ao universo do medo, felizmente, com volta.

 

 

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