Do mestre sempre lembraremos

Foto: divulgação

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Marcelo Araújo

Pela relação que tenho há muitos anos com a música do cantor, compositor e escritor canadense Leonard Cohen, não poderia deixar de fazer algum registro a respeito da sua morte, cujas causas ainda permanecem desconhecidas. O artista faleceu na sua casa, em Los Angeles, na última segunda-feira, 7 de novembro. Porém, apenas no dia 10, quinta-feira, o triste fato foi divulgado. Partiu um dos nomes mais importantes da cultura ocidental contemporânea, que nos fará enorme falta.

Foi na noite de quinta-feira (10 de novembro), quase madrugada de sexta, que soube desta grande perda. Conversava com a minha esposa, Michelle, quando meu irmão, Claudio, telefonou para avisar o ocorrido. Apesar dos 82 anos e de recentes problemas de saúde, Leonard Cohen ainda produzia. Lançou seu último disco, o décimo-quarto de estúdio, You Want It Darker, dias antes de seu óbito. A atmosfera sombria deste título (Você quer isso mais escuro, em português) soa como um prenúncio.

A música de Cohen entrou na minha vida no começo da casa dos 20 anos. Em meio a muito rock’n’roll, o disco dele que ouvi primeiro foi I’m Your Man, de 1988, do qual faz parte First We Take Manhattan. Era uma música de contraste, com uma batida eletrônica que poderia pertencer a qualquer grupo technopop com uns backing vocals a la Madonna, mas uma voz sombria, grave, cantando uma letra extremamente sofisticada. Aquilo me causou impacto. Depois, ouvi este LP melhor e descobri outras pérolas, como I Can’t Forget, uma canção nostálgica e de amor.

Lembro de ter comprado Songs of Leonard Cohen, o primeiro elepê dele, de 1967, em um sebo. As audições desta obra-prima aprofundaram minha relação com a obra de Leonard. Este é certamente o meu favorito entre seus álbuns, um folk com psicodelia, com cada música trazendo uma história tocante, com personagens como a célebre Suzanne, o guru de Master Song, a garota de So Long, Marianne, ou o médico e o esquimó de One of Us Cannot Be Wrong. Quantas manhãs, tardes e noites passadas escutando essas pérolas, viajando na minha mente para outras épocas e mundos.

Vários outros discos de Cohen fizeram minha cabeça, como Songs of Love and Hate, de 1969, um folk melancólico, ou  Death of a Ladie’s Man, de 77, produzido por Phil Spector e com um profundo mergulho no soul. Este disco chega a lembrar a sonoridade do material que Spector produziu para John Lennon na primeira metade dos anos 70.

Perdemos outros grandes artistas recentemente, como David Bowie. Cada vez que um cara desses morre vem um sentimento de desolação, em um mundo estranho, brutal. Que a arte de Leonard Cohen nos ilumine de alguma forma. A dor é imensa, mestre, mas a sua voz ainda nos consola!

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