O Brasil nas lentes de Farkas e Medeiros

 

farkasmedeiros

Marcelo Araújo

Um veio do Piauí; o outro, da Hungria. Um morava no Rio; o outro, em São Paulo. Apesar de origens e habitats diferentes, José Medeiros e Thomaz Farkas se aproximaram pela amizade e pelo amor à fotografia. O documentário Improvável Encontro – Frente e Verso, de Lauro Escorel, retoma a trajetória desses dois nomes e foi exibido na terça-feira (20 de setembro), na abertura da quadragésima-nona edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no Cine Brasília.

Tanto Thomaz Farkas quanto José Medeiros deixaram suas terras de origem. Farkas veio criança, com a família, para o Brasil, em 1930. Já Medeiros, nasceu em Teresina e aos 18 se transferiu para o Rio de Janeiro. O filme de Escorel vai aos primórdios dos dois personagens para mostrar a relação de ambos com o mundo da foto. Aos oito anos, Farkas ganhou uma câmera do pai. Na infância e na adolescência, vieram registros de imagens como as dos gatos que povoavam sua casa. Medeiros, que tinha emprego público no Departamento de Café, começou na atividade como freelancer. A guinada para a carreira profissional aconteceu em 1946, ao ingressar na  revista O Cruzeiro, principal publicação ilustrada brasileira da primeira metade do século XX.

Um dos méritos do documentário de Lauro Escorel é mostrar como Farkas e Medeiros revolucionaram a fotografia no país, ao trazerem um novo olhar, com destaque para pessoas comuns, em situações de seus cotidiano ou em momentos históricos (ou nos dois ao mesmo tempo), com sambistas, boêmios, operários, pescadores e tantos outros tipos. Assinale-se que produziram instantâneos com status de arte, com delicadeza, expressão, emoção e fenomenais jogos de luz e geometria.

Entre tantos momentos célebres, Farkas clicou as obras do estádio Pacaembu, em São Paulo, e a construção de Brasília. José Medeiros, na virada das décadas de 40 para 50, fotografou o cotidiano de índios no Xingu e fez as primeiras imagens de rituais de religiões de matriz afro em Salvador.

Lauro Escorel ressalta que além de terem se tornado grandes amigos, o húngaro e o piauiense apresentavam certa sintonia. O diretor mostra uma cena com fotos feitas em lugares e momentos diferentes com semelhanças nos resultados, em características como o tema, alternância de luz e sombra e a perspectiva geométrica.

A partir da década de 60, tanto Thomaz quanto José levaram sua bagagem ao cinema. Medeiros assinou a direção de fotografia de filmes como Xica da Silva e Memórias do Cárcere. Farkas produziu e atuou como diretor de fotografia em documentários. Ficaram anos sem se ver e o reencontro tem destaque no documentário, em 1985, durante homenagem em São Paulo a Medeiros, que rendeu, inclusive, feijoada na casa de Farkas.

Bela iniciativa do cineasta Lauro Escorel em valorizar vida e obra de dois homens que mostraram na fotografia diversas faces do Brasil sem pudor e vergonha de ser encarado. Movimento similar foi adotado por outras expressões artísticas, como as artes plásticas, a música e o próprio cinema.

Saiba mais sobre a programação do Festival de Brasíllia aqui: http://www.festbrasilia.com.br/

 

 

 

 

 

 

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