Nova Bruxa de Blair se resume a pastiche do original

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Pode-se até não gostar de A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project), de 1999, dirigido por Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, mas não se consegue negar a contribuição que a obra deu ao gênero do terror. Realizado em estilo documental, simulando uma filmagem perdida (found footage), ajudou a renovar um estilo que andava mal e serve até hoje de inspiração a outros cineastas.

O mesmo não se pode dizer de Blair Witch, de 2016, de Adam Wingard, que estreou faz poucos dias nos cinemas brasileiros. Trata-se de uma cópia do original que repete fórmulas e pouco assusta. Na verdade, compete com A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras, de 2000, pelo posto de pior sequência do Blair Witch Project.

Cronologicamente, o novo A Bruxa de Blair se passa 15 anos após o desaparecimento dos três jovens do primeiro filme. James (James Allen McCune) assiste a um vídeo na internet no qual acredita ver sua irmã, Heather. Com um grupo de amigos, viaja a Burkittsville, no estado americano de Maryland, para encontrar o responsável pelo registro. Após o contato, todos decidem se embrenhar na floresta famosa por abrigar a terrível bruxa. Porém, ao invés de acharem a irmã de James, os aventureiros terminam se perdendo na mata.

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A partir do desespero do grupo, que não consegue mais retornar ao local de partida e se vê prisioneiro de uma noite interminável, se sucedem as já tradicionais cenas desta escola de horror. Barulhos que ninguém sabe de onde vêm, correrias no meio do escuro com a câmera tremendo, gritos desesperados e outros recursos manjados irão provocar poucos ou nenhum susto no espectador. Simplesmente não se consegue enxergar nada nos momentos, digamos, mais pesados. Tal situação chega a dificultar a compreensão dos fatos.

Assinale-se que as interpretações dos atores no primeiro A Bruxa de Blair eram mais convincentes, tanto no medo que aparentavam sentir quanto na tensão entre eles quando o bicho pegava. No atual, as performances em muitos momentos soam caricatas, fato que ajuda a tirar força da história.

 

Verdade seja dita, talvez este jeito de se fazer películas de horror como se fossem documentários já tenha dado o suficiente, conforme também constatamos nas infindáveis continuações da série Atividade Paranormal. O que antes era original agora vira clichê. Nada pior para um filme de terror do que se tornar previsível. Se a assombração fica com a cara manjada, inevitavelmente vai meter menos medo.

 

 

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3 pensamentos sobre “Nova Bruxa de Blair se resume a pastiche do original

    • Grande Angelo!!! Acho que sempre teremos safras com boas e ruins novidades. Esse, na minha visão, tropeça mesmo nos clichês. Mas tem filmes bons que dão gás ao gênero. Recomendo Quando as Luzes se apagam e The Dead Room. Também revi um francês interessante, de 20014, chamado Saint Angel ou House of Voices. Vale ver. Grande abraço!!!

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