Estranho mundo fashion

Foto: divulgação

neondemon

Elle Fanning protagoniza Demôno de Neon, do diretor Nicolas Winding Refn

 

Certas obras podem provocar diversos tipos de sensações no espectador, menos indiferença. É o caso de Demônio de Neon (The Neon Demon), dirigido pelo cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn e estrelado pela americana Elle Fanning, irmã de Dakota Fanning. Previsto para estrear em breve no Brasil, conta a trajetória de uma jovem que aspira se tornar uma estrela das passarelas, mas que tem no percurso até seu objetivo um ambiente hostil com estranhas figuras.

Com apenas 16 anos, Jesse se muda de uma pequena localidade para  a megalópole Los Angeles, com o sonho de virar uma modelo. Durante sua estadia na Cidade dos Anjos, se hospeda num duvidoso motel administrado por um sujeito asqueroso chamado Hank, personificado por Keanu Reeves, em bom momento.

Com uma beleza hipnótica, a aspirante a top model atrai a atenção de todos – homens e mulheres. Uma série de imagens de photoshop dela feitas por um fotógrafo, mesmo com um caráter amador, chamam a atenção da dona de importante agência (Christina Hendricks). Jesse é aconselhada pela empresária a dizer que tem 19 anos e consegue um teste com um renomado fotógrafo, Jack (Desmond Harrington).

Paralelamente a seu ingresso no universo fashion, a personagem principal desenvolve amizade com a maquiadora Ruby (Jena Malone) e, ainda, com as modelos Sara (Abbey Lee) e Gigi (Bella Heathcote). Ruby demonstra fixação por Jesse, sentimento forte que evolui para algo sombrio. A imagem estonteante da modelo e o descontrole que provoca naqueles com quem se relaciona parece lhe dar uma passagem com destino duplo, tanto para o céu quanto para o inferno; ou para ambos!

Não se pense que Nicolas Winding Refn criou uma espécie de filme-manifesto crítico ao universo da moda.Vai muito além disso, em uma película que focaliza a estranheza humana, com desejos reprimidos, atitudes repulsivas, paixões mórbidas, indiferença e desprezo estarrecedores. Trata-se de uma moeda com um sonho de Cinderela numa face e um pesadelo na outra.

Destaque-se em Demônio de Neon a atmosfera de sonho, catalizada por incríveis desenhos de luz e cenários que se alternam entre viva plasticidade e o opaco. Ressalte-se a maravilhosa trilha sonora composta por Cliff Martinez, que evoca a música de vanguarda e eletrônica dos anos 70 e 80, de nomes como Kraftwerk, Tangerine Dream, David Bowie, Roxy Music e Brian Eno, com uso de moogs e outros efeitos e timbres retrô.

Curiosamente, Demônio de Neon foi classificado como terror ou horror psicológico. Tem quase nada do gênero, mesmo que em alguns momentos carregue uma dose de suspense hitchcockiana. Entretanto, está mais para um filme de arte. Tem mais a ver com David Lynch ou David Cronenberg. A cena da onça (ou puma, ou jaguar ou sei lá que bicho é aquele) no quarto expressa essa relação com elementos surreais. Independentemente do estilo, merece respeitosa atenção, por explorar com inteligência o mundo da moda, que, em geral, quando aparece nas telas, vem vestido de glamour e abobrinha.

 

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