Radio Moscow provoca explosão sonora

Foto: Marcelo Araújo

radiomoscow

Palco tradicional das artes cênicas em Brasília, o Teatro Dulcina recebeu no último domingo, 17 de janeiro, show explosivo do power-trio norte-americano Radio Moscow. Em turnê pela América Latina, a banda foi a atração principal do festival Choque de Monstros.

A falta de energia no edifício Conic, onde fica o Teatro Dulcina, quase pôs tudo a perder. A produção precisou ir atrás de um gerador para que o show acontecesse. Como resultado, o início do festival atrasou em mais de três horas. Previsto para começar às 16h, o Choque de Monstros engrenou, de fato, perto das 20h. Como sempre acontece em Brasília, rola uma chuvinha e a luz vai embora. Ano após ano, um problema que persiste, prejudica a população e não se encontra solução. Lamentável.

Apesar dos pesares, valeu a pena esperar. O grupo de Iowa subiu ao palco do Dulcina às 22h40. A partir dali, seguiu-se uma hora e vinte minutos da mais pura pauleira, um som ensurdecedor executado apenas com guitarra, baixo e bateria.

Parker Griggs comanda a trupe. Ele é o único presente no Radio Moscow desde  sua fundação, em 2003 e participou dos cinco discos do conjunto. Dono de voz que emula mestres do blues, sua guitarra incendeia a cena, ora com bases concentradas, ora com solos furiosos. Completam o grupo o baixo de marcação ferrenha de Anthony Meier, que não abria mão de goles de cerveja nos intervalos das canções, e a bateria trovejante de Lonnie Blanton.

Musicalmente, o Radio Moscow remete ao rock pesado que se fazia no final dos anos 60 e começo dos 70, muito baseado no blues e combinado à psicodelia e ao rock de garagem. Blues rock, acid rock, hard rock, stoner rock são definições usadas para esta música que remete a nomes como Jimi Hendrix, Black Sabbath dos primeiros discos, Cream e Blue Cheer. Para mim trata-se do heavy metal original, seminal, no seu estado bruto, sem qualquer firula. Mas também não dá para dizer que o Moscow atua apenas como banda de revival. Mais que isso, com energia muito peculiar.

Para quem gosta de bater cabeça o concerto do Radio Moscow caiu como uma luva de titânio, com petardos como Broke Down, Deep Blue Sea, 250 Miles, Death of a Queen e No Good Woman. Esta última, Parker Griggs dedicou a David Bowie, morto no dia 10 de janeiro. Neste momento, um raio remetendo à pintura que o Camaleão usava na fase Aladdin Sane apareceu na tela atrás do palco. Diga-se de passagem, bem legais as imagens psicodélicas projetadas enquanto a banda tocava, lembrando recurso usado por artistas nos anos 70.

O Radio Moscow segue em sua nova digressão pelo Brasil até o próximo domingo (24), passando por Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Petrópolis. Vale se ligar se eles estiverem perto de você. É um show de deixar boquiaberto, com a cabeça zonza e o pescoço dolorido. Vale a pena!!!

 

 

 

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2 pensamentos sobre “Radio Moscow provoca explosão sonora

  1. Marcelo,

    Visitei o seu Blog: FANTÁSTICO!!

    Gostei muito da matéria sobre o trio norte-americano “Radio Moscow”, que só ouvia comentários, mas não o conhecia. A sua matéria me deixou com bastante curiosidade sobre esses músicos, e, por isso, vou conhecê-los melhor. Valeu!

    Li também o seu trabalho sobre Egberto Gismonti e achei espetacular. Conheço alguma coisa dele desde idos tempos; o cara é “arregaçado”!

    Mas do Blog todo, o que eu mais curti foi “Já tem livro novo na praça” / “A Testinha de de Gabá”, talvez até por eu já ter lido! Quando li o livro, gostei muito quando Tião Nonato, pai de Gabá diz: “Gabá, sai dessa! Para com esse negócio de ficar triste. Sai dessa! Gabá, sai dessa!” – Nessa fala me identifiquei muito com Tião Nonato. Muito fera o seu trabalho sobre “Gabá”!

    O seu Blog é muito, muito bacana mesmo!
    Fiquei encantado com todo ele.
    Meus sinceros Parabéns, Mestre Marcelo Araújo!

    Grande Abraço e Sucesso Sempre!

    Andreas Nora

  2. Marcelo,

    Pela sua apresentação sobre o trio “Radio Moscow”, fiquei instigado em conhecer mais sobre ele, e, por isso, o ouvi durante essa semana e hoje.

    Sem dúvida são instrumentistas de primeiríssima grandeza.
    O vocal também é de altíssima qualidade; o intérprete tem uma voz segura, empostada e de muito boa entonação e timbre.
    O guitarrista sola muito! Notei uma grande influência de Jimi Hendrix nos seus arranjos, principalmente na sequência das notas agudas.
    Muito me chamou a atenção como o baixo trabalha com a bateria. Observei que o baixo toca junto com a bateria, deixando a guitarra “correr” por fora, o que foge muito à regra, uma vez que o baixo fica mais próximo das guitarras; esse trabalho me deixou embasbacado, porque isso ocorre sem a mínima quebra da harmonia.
    Uma outra coisa me deixou de queixo caído: foi a performance do baterista. Nunca vi (ouvi) um baterista fazer tanto uso do bumbo e do surdo como ele o faz. Cem por cento das vezes, o bumbo é usado para fazer marcações, e o surdo para dar uma gravidade nas batidas mais secas. Nesse caso, o baterista dá um peso igual do bumbo e do surdo com os outros instrumentos (tarol, caixas e pratos), utilizando por igual todas as peças quase que simultaneamente.
    Na canção “No Good Woman”, o baterista dá um show colocando o surdo e o bumbo numa plataforma bem elevada, fazendo até mesmo uma batida de melodia “Afro”, executando um arranjo fortíssimo, ousando introduzir uma batida afro no rocky.

    Agradeço muito por essa matéria, pis ela me levou à curiosidade de conhecer, de fato, o trabalho desse trio ípar. Valeu!!

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