David Bowie rumo às estrelas

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O ano mal começou e um dos nossos maiores heróis da música foi embora. David Bowie, o eterno Camaleão do rock, morreu no domingo, 10 de janeiro, dois dias apenas após completar 69 anos e de lançar seu último CD, Blackstar, na sexta (8). O cantor sucumbiu a um câncer após enfrentar silenciosamente a doença por 18 meses.

Para mim foi um choque saber dessa tragédia, que pegou o mundo inteiro de surpresa. Salvo a família e amigos próximos, poucos deviam conhecer a gravidade do estado de saúde do artista inglês, um dos mais influentes e revolucionários das últimas cinco décadas.

Vi a notícia no Bom Dia Brasil, da TV Globo, bem cedo. Primeiro uma imagem do rosto dele e depois a informação transmitida pelo apresentador Chico Pinheiro, na abertura do telejornal: “Aos 69 anos, morre David Bowie”.

Passados os instantes de susto, inevitavelmente veio a tristeza. Afinal, o roqueiro britânico marcou com seu som a vida de milhões de pessoas que o ouviram desde os anos 60.

Cresci e envelheci escutando sua obra desde que, aos 14, assisti pela primeira vez em um programa de clipes na TV ao vídeo de Blue Jean. Aquilo me pegou em cheio e nunca mais me largou. Comecei a colecionar seus discos, a assistir seus vídeos e a ver seus filmes. Infelizmente, não tive a oportunidade de vê-lo ao vivo.

David Bowie passou por diversas fases em seus mais de 50 anos de carreira. Sempre inovador, jamais se acomodou a um estilo. Explorou inúmeras vertentes, em muitas ocasiões sem se enquadrar em algum rótulo, trilhando por gêneros como folk, glam rock, soul e música eletrônica. Até seu visual passou por enormes transformações.

Por falar em estilos, Punk, New Wave, Post Punk, Industrial, Gótico, New Romantic, Alternative Rock e tantos outros movimentos teriam cara bem distinta sem sua influência. Foi ainda responsável pelo boom em carreiras de contemporâneos como Lou Reed e Iggy Pop nos anos 70.

Não bastasse ter sido ícone da música, Bowie estabeleceu pontes com outras expressões, como a moda, o teatro, a dança, as artes plásticas e o cinema. Os figurinos, maquiagens e performances no começo da década de 70 consolidaram o elemento cênico como aliado do som nos concertos de rock, influenciando muita gente, de Peter Gabriel, do Genesis, ao Kiss.

Lembraremos muito dele como ator em tantos filmes. Cito como favorito Fome de Viver (The Hunger), de Tony Scott, de 1983. Nesta produção, ele e a francesa Catherine Deneuve encarnam um casal moderno de vampiros. Fantástica a cena inicial, numa boate, ao som de Bela Lugosi is Dead, do Bauhaus.

Bowie pertence àquela classe dos gênios cuja música transforma o comportamento e a vida das pessoas, a exemplo de artistas como Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, The Doors e Led Zeppelin.

A música sempre foi influência forte no que escrevo e David Bowie, evidentemente, não poderia ficar de fora. Em meu último livro, Casa dos Sons, publicado em 2015, dois contos foram inspirados nele. Um se chama Golden Years e o outro, Eles Tocam com Bowie. Uma honra tê-lo homenageado, inclusive com um desenho, que mostro abaixo.

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Sei que o momento é de grande tristeza, mas prefiro guardar este artista na memória colocando pra tocar qualquer canção maravilhosa com a qual ele nos presenteou, como Modern Love, Five Years, Changes, Quicksand, Space Oddity, Station to Station, Heroes. Ziggy Stardust, Young Americans ou Absolute Beginners. São muitas. Centenas.

A espaçonave já partiu e David Bowie agora ruma para as estrelas!

 

 

 

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