Morre Jimmy, ex-baixista do Rainbow

jimmybain

A bruxa está solta mesmo no mundo do rock. Em menos de um mês perdemos Lemmy, David Bowie, Dale Griffin, batera do Mott The Hoople, e agora o escocês Jimmy Bain, baixista que integrou grupos como Rainbow e Dio. Como disse um amigo meu, Marcello Souza, ou o Ceifador diminui o ritmo ou em breve os velhos rockers terão todos partido.

Jimmy Bain morreu neste domingo, aos 68 anos, segundo algumas fontes após sofrer um ataque de um urso durante férias num camping em Utah, nos Estados Unidos.

Bain é o baixista de Rising, de 1976, segundo disco do Rainbow, grupo comandado por Ritchie Blackmore, ex-guitarrista do Deep Purple. Só por sua participação neste álbum, em canções como Stargazer, Tarot Woman e Light in the Black, já merecia ter seu nome registrado com menção honrosa na história do rock. Tocou ainda no disco Rainbow on Stage, de 1977.

Nos anos 80, participou do Dio, banda formada pelo cantor Ronnie James Dio, antigo companheiro do Rainbow, após deixar o Black Sabbath. O baixista ainda tocou com artistas como Ian Hunter, vocalista do Mott the Hoople, Phil Lynott, baixista e vocalista do Thin Lizzy, Gary Moore, e com John Cale, ex-baixista do Velvet Underground.

 

 

 

Radio Moscow provoca explosão sonora

Foto: Marcelo Araújo

radiomoscow

Palco tradicional das artes cênicas em Brasília, o Teatro Dulcina recebeu no último domingo, 17 de janeiro, show explosivo do power-trio norte-americano Radio Moscow. Em turnê pela América Latina, a banda foi a atração principal do festival Choque de Monstros.

A falta de energia no edifício Conic, onde fica o Teatro Dulcina, quase pôs tudo a perder. A produção precisou ir atrás de um gerador para que o show acontecesse. Como resultado, o início do festival atrasou em mais de três horas. Previsto para começar às 16h, o Choque de Monstros engrenou, de fato, perto das 20h. Como sempre acontece em Brasília, rola uma chuvinha e a luz vai embora. Ano após ano, um problema que persiste, prejudica a população e não se encontra solução. Lamentável.

Apesar dos pesares, valeu a pena esperar. O grupo de Iowa subiu ao palco do Dulcina às 22h40. A partir dali, seguiu-se uma hora e vinte minutos da mais pura pauleira, um som ensurdecedor executado apenas com guitarra, baixo e bateria.

Parker Griggs comanda a trupe. Ele é o único presente no Radio Moscow desde  sua fundação, em 2003 e participou dos cinco discos do conjunto. Dono de voz que emula mestres do blues, sua guitarra incendeia a cena, ora com bases concentradas, ora com solos furiosos. Completam o grupo o baixo de marcação ferrenha de Anthony Meier, que não abria mão de goles de cerveja nos intervalos das canções, e a bateria trovejante de Lonnie Blanton.

Musicalmente, o Radio Moscow remete ao rock pesado que se fazia no final dos anos 60 e começo dos 70, muito baseado no blues e combinado à psicodelia e ao rock de garagem. Blues rock, acid rock, hard rock, stoner rock são definições usadas para esta música que remete a nomes como Jimi Hendrix, Black Sabbath dos primeiros discos, Cream e Blue Cheer. Para mim trata-se do heavy metal original, seminal, no seu estado bruto, sem qualquer firula. Mas também não dá para dizer que o Moscow atua apenas como banda de revival. Mais que isso, com energia muito peculiar.

Para quem gosta de bater cabeça o concerto do Radio Moscow caiu como uma luva de titânio, com petardos como Broke Down, Deep Blue Sea, 250 Miles, Death of a Queen e No Good Woman. Esta última, Parker Griggs dedicou a David Bowie, morto no dia 10 de janeiro. Neste momento, um raio remetendo à pintura que o Camaleão usava na fase Aladdin Sane apareceu na tela atrás do palco. Diga-se de passagem, bem legais as imagens psicodélicas projetadas enquanto a banda tocava, lembrando recurso usado por artistas nos anos 70.

O Radio Moscow segue em sua nova digressão pelo Brasil até o próximo domingo (24), passando por Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Petrópolis. Vale se ligar se eles estiverem perto de você. É um show de deixar boquiaberto, com a cabeça zonza e o pescoço dolorido. Vale a pena!!!

 

 

 

David Bowie rumo às estrelas

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O ano mal começou e um dos nossos maiores heróis da música foi embora. David Bowie, o eterno Camaleão do rock, morreu no domingo, 10 de janeiro, dois dias apenas após completar 69 anos e de lançar seu último CD, Blackstar, na sexta (8). O cantor sucumbiu a um câncer após enfrentar silenciosamente a doença por 18 meses.

Para mim foi um choque saber dessa tragédia, que pegou o mundo inteiro de surpresa. Salvo a família e amigos próximos, poucos deviam conhecer a gravidade do estado de saúde do artista inglês, um dos mais influentes e revolucionários das últimas cinco décadas.

Vi a notícia no Bom Dia Brasil, da TV Globo, bem cedo. Primeiro uma imagem do rosto dele e depois a informação transmitida pelo apresentador Chico Pinheiro, na abertura do telejornal: “Aos 69 anos, morre David Bowie”.

Passados os instantes de susto, inevitavelmente veio a tristeza. Afinal, o roqueiro britânico marcou com seu som a vida de milhões de pessoas que o ouviram desde os anos 60.

Cresci e envelheci escutando sua obra desde que, aos 14, assisti pela primeira vez em um programa de clipes na TV ao vídeo de Blue Jean. Aquilo me pegou em cheio e nunca mais me largou. Comecei a colecionar seus discos, a assistir seus vídeos e a ver seus filmes. Infelizmente, não tive a oportunidade de vê-lo ao vivo.

David Bowie passou por diversas fases em seus mais de 50 anos de carreira. Sempre inovador, jamais se acomodou a um estilo. Explorou inúmeras vertentes, em muitas ocasiões sem se enquadrar em algum rótulo, trilhando por gêneros como folk, glam rock, soul e música eletrônica. Até seu visual passou por enormes transformações.

Por falar em estilos, Punk, New Wave, Post Punk, Industrial, Gótico, New Romantic, Alternative Rock e tantos outros movimentos teriam cara bem distinta sem sua influência. Foi ainda responsável pelo boom em carreiras de contemporâneos como Lou Reed e Iggy Pop nos anos 70.

Não bastasse ter sido ícone da música, Bowie estabeleceu pontes com outras expressões, como a moda, o teatro, a dança, as artes plásticas e o cinema. Os figurinos, maquiagens e performances no começo da década de 70 consolidaram o elemento cênico como aliado do som nos concertos de rock, influenciando muita gente, de Peter Gabriel, do Genesis, ao Kiss.

Lembraremos muito dele como ator em tantos filmes. Cito como favorito Fome de Viver (The Hunger), de Tony Scott, de 1983. Nesta produção, ele e a francesa Catherine Deneuve encarnam um casal moderno de vampiros. Fantástica a cena inicial, numa boate, ao som de Bela Lugosi is Dead, do Bauhaus.

Bowie pertence àquela classe dos gênios cuja música transforma o comportamento e a vida das pessoas, a exemplo de artistas como Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, The Doors e Led Zeppelin.

A música sempre foi influência forte no que escrevo e David Bowie, evidentemente, não poderia ficar de fora. Em meu último livro, Casa dos Sons, publicado em 2015, dois contos foram inspirados nele. Um se chama Golden Years e o outro, Eles Tocam com Bowie. Uma honra tê-lo homenageado, inclusive com um desenho, que mostro abaixo.

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Sei que o momento é de grande tristeza, mas prefiro guardar este artista na memória colocando pra tocar qualquer canção maravilhosa com a qual ele nos presenteou, como Modern Love, Five Years, Changes, Quicksand, Space Oddity, Station to Station, Heroes. Ziggy Stardust, Young Americans ou Absolute Beginners. São muitas. Centenas.

A espaçonave já partiu e David Bowie agora ruma para as estrelas!

 

 

 

De volta a uma galáxia distante

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Neste feriado de começo do ano, assisti ao episódio VII da série Star Wars, The Force Awakens. Mais um prato cheio para os fãs da série e de películas com incríveis efeitos especiais, reforçados no formato 3D. Acompanho Star Wars desde 1977, quando assisti, no cinema, ao Episódio IV, o primeiro a vir às telas e devo confessar que sou um apreciador do trabalho.

Mas Star Wars não se resume apenas aos efeitos, com suas colossais astronaves, sabres de luz, caças de combate e design futurista. As fábulas espaciais criadas por George Lucas trouxeram para as produções de ficção científica o clima épico de histórias clássicas, com batalhas de exércitos, seres que remetem a criaturas mitológicas, princesas, imperadores, vilões com poderes sobrenaturais, com destaque ao temível Darth Vader, e cavaleiros medievais e guerreiros da antiguidade forjados na nobreza e rebatizados modernamente de Jedis.

No novo capítulo, tem tudo isso. Temos ainda a música monumental de John Williams, o “clássico moderno”.

Desta vez, o enredo se desenvolve em torno da caça a um robozinho, o simpático BB-8, em cuja memória está um mapa que pode levar ao desaparecido Luke Skywalker, o último jedi.

Quem ganha destaque na trama é a personagem Rey, interpretada pela inglesa Daisy Ridley. Ela não sabe, mas tem a força consigo e tudo para se tornar uma nova jedi. Por isso, acaba alvo da Primeira Ordem, grupo que planeja retomar o sinistro Império.

Com Darth Vader morto, assume seu papel de vilão-mor do lado sombrio Kylo Ren, vivido por Adam Driver. Tal qual Vader, Kylo, filho da Princesa Leia e de Han Solo, se desgarrou da Luz seduzido pelo mal.

Psicológico

O sétimo Star Wars explora o lado psicológico dos envolvidos, como talvez não fizesse nos capítulos que o antecederam. Se Darth Vader era extremamente frio, Kylo volta e meia se deixa tomar por acessos de fúria e uma imaturidade que podem ameaçar seus planos. De teor psicológico também é Finn, personagem de John Boyega. Originalmente um stormtrooper, aqueles soldados de uniforme branco, termina se rebelando contra a Primeira Ordem ao presenciar a morte de um companheiro de exército.

Junto aos novos atores, o episódio VII resgata Han Solo (Harrison Ford), a agora General Leia (Carrie Fisher), Skywalker (Mark Hamill) em breve aparição, o “macaco-yorkshire” Chewbacca e os droids C3PO e R2D2.

Uma das novidades é que George Lucas, criador da série e diretor dos episódios I, II, III e IV, desta vez não atuou como realizador e apenas como consultor criativo. A direção ficou por conta de J.J. Abrams, que não deixou a peteca cair, apesar da importante perda.

Vamos aguardar os episódios VIII, anunciado para 2017, e IX, para 2019. Ao que tudo indica, mesmo com outro condutor, a produção espacial mais popular de todos os tempos tende a continuar atraindo milhões de passageiros para suas viagens rumo a uma galáxia  distante.

Até lá!