Adeus, Lemmy

lemmy

 

O mundo do rock ficou muito triste na noite de segunda, 28 de dezembro. Prestes a fecharmos o ano, soubemos da morte, aos 70 anos, do grande Lemmy Kilmister, baixista e vocalista da banda inglesa Motörhead, uma das mais importantes e influentes da história.

Ainda que o roqueiro estivesse com problemas de saúde há algum tempo, como o agravamento de um diabetes, que motivaram o cancelamento do show do Motörhead no último Monsters of Rock, em São Paulo, foi um câncer fulminante que o levou. Kilmister soube da doença no dia 26, sábado, e morreu na segunda.

Ao longo de mais de cinco décadas de atividades, Lemmy virou, sem exagero, uma lenda do rock’n’roll. Uma das primeiras bandas com que chamou a atenção foi o Rocking Vickers, em 1965. De 68 a 70, participou da psicodélica Sam Gopal. Além disso, teve uma passagem como roadie de Jimi Hendrix.

Em 71, ingressou no Hawkwind, grupo de space rock do qual participou até 1975. Naquele ano, durante a turnê canadense, o baixista parou na cadeia por porte de speed. Apesar de ser libertado, seus companheiros o expulsaram do conjunto.

Há males que vem para o bem, como diz o ditado. Após rodar do Hawkwind, Lemmy montou a banda que o consagrou e que conduziu por 4o anos. O Motörhead se diferenciava das bandas tradicionais de heavy metal por combinar o peso com velocidade e sujeira mais típicas do rock de garagem. Não à toa transformou-se em influência não apenas para a rapaziada do heavy como para punks, skinheads, góticos e várias outras tribos.

O thrash, versão mais acelerada do metal, popularizada nos anos 80 por nomes como Metallica, Megadeth, Anthrax e Slayer, não existiria sem a influência de Lemmy e companhia. E vale destacar que artistas do grunge, do industrial, do psychobilly e até do pop reverenciavam a trupe. Os Ramones eram fãs do Motörhead e ganharam até uma canção homônima em sua homenagem no álbum 1916, de 1993.

O tempo passa. A gente vai ficando velho. C’est la vie! Vários desses camaradas que aprendi a amar na adolescência e cresci ouvindo começaram a nos deixar nos últimos anos. Os integrantes originais dos Ramones, Jack Bruce, Dio, George Harrison, Isaac Hayes, Gary Moore, Rick Wright, Jon Lord, B.B. King, Jeff Hanneman, Phil Animal Taylor e Würzel (também do Motörhead), Chris Squire, Lou Reed, Amy Winhouse, Lux Interior, Cozy Powell e tantos outros integram essa lista de perdas à qual se junta Lemmy Kilmister.

Lemmy foi um herói para garotos que amam o rock, com seu som sem firulas e suas letras sobre as diversas facetas da vida, do lado mais barra pesada ao mais divertido. Tive o privilégio de vê-lo no palco com o Motörhead há alguns anos em Brasília.  É um show que guardarei na cabeça até os meus últimos dias. Também dediquei a ele o meu segundo livro, Pedaço Malpassado, de 2011. A música do Motörhead influencia vigorosamente a minha literatura! Vários textos, especialmente esta obra, foram escritos ao som de canções como Ace of Spades, Killed by Death, Shine e Overkill.

Muita energia é o que Lemmy Kilmister mostrava de melhor no palco. Que sempre lembremos dele assim e que sua obra faça gerações e gerações baterem cabeça e chacoalharem o corpo.

Long Live Rock’n’Roll!!! Lemmy forever!!!

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Minha retrospectiva literária parte 5: Casa dos Sons

capa casa dos sons

Devo desculpas aos meus leitores, pois neste ano de 2015 o blog, por uma série de questões, andou a passos bem lentos. Prometo para 2016 mais agilidade na produção de textos para esta página.

Aproveito para concluir minha retrospectiva literária, iniciada há alguns meses, com meu mais recente trabalho, Casa dos Sons. Meu quinto livro foi lançado em junho pela editora Nautilus.

A obra reúne contos que de alguma forma têm relação com o universo da música, seja pelo enredo, seja pela inspiração em artistas reais para criar os personagens. Neste livro, pude prestar reverência a nomes que me inspiraram, como David Bowie, Led Zeppelin e Howlin’ Wolf. Música e literatura são duas paixões que caminham juntas há muito tempo em minha vida.

Também foi outra oportunidade que tive de realizar ilustrações, o que já havia feito em A Testinha de Gabá. É minha intenção continuar unindo letras e imagens nos meus próximos projetos.

E por falar em projeto, planejo para breve reeditar Casa dos Sons. A tiragem da primeira edição foi de apenas cem exemplares. Várias pessoas me perguntam sobre como achar o livro que, infelizmente, está esgotado. Quero aumentar a prensagem, além de incluir várias outras histórias inéditas. Em breve, notícias sobre a empreitada.

Aproveito para desejar a todos um feliz 2016!!!

Grande abraço!