Minha retrospectiva literária parte 4: A Testinha de Gabá

otestinha

Depois de escrever três obras dedicadas a histórias de terror, quem diria que eu iria lançar um livro infantil?

Foi o que aconteceu em 2014, quando publiquei A Testinha de Gabá, um trabalho completamente diverso dos anteriores, ainda que eu ache que os meus três livros de terror são muito diferentes entre si.

O enredo do livro dedicado aos miúdos, curiosamente, surgiu a partir de uma canção infantil que eu havia composto, que falava sobre uma testinha. A partir daí, desenhei um personagem que inicialmente seria o “Testinha” e acabou virando Gabá.

Veio uma história na cabeça e comecei a desenhar. Eu sempre gostei de pegar o lápis ou a caneta e criar, mas nunca considerei que aquela atividade poderia ganhar ares mais sérios. Sem nunca ter feito nenhum curso, na marra, ilustrei cada quadro da narrativa que saía de minha mente.

Confesso que o resultado me surpreendeu. Sempre tive interesse em produzir um livro infantil, porém a dificuldade de arrumar e pagar um ilustrador era justamente um dos empecilhos. Então, por que eu mesmo não fazer isso? Mostrei o resultado para um monte de pessoas, que gostaram do resultado, o que me empolgou a publicá-lo pela Thesaurus Editora.

Já havia utilizado ilustrações produzidas por mim em meu primeiro livro, Não Abra – Contos de Terror, só que agora essa outra vocação se manifestou com mais força e veio para ficar. Depois do Gabá, voltei a desenhar como nunca e trouxe isso de forma mais frequente para o meu trabalho. Meu último livro, Casa dos Sons, reúne desenhos que fiz, assim como os contos João Grandão Virou… e Papafigo, presentes no fanzine Lobotomia.

Além da questão do desenho, A Testinha de Gabá foi legal porque me permitiu tratar de um tema interessante e muito atual no livro, que é o bullying nas escolas. O personagem é ridicularizado pelos colegas por conta de um aspecto físico. No entanto, o mais surpreendente é como ele supera o problema por meio da educação artística. Isso mesmo! A arte tem a capacidade de mudar nossas vidas.

Mudou a minha. Escrever me faz muito feliz! Viva a literatura, uma das minhas portas de entrada para o mundo dos sonhos. E é bom demais sonhar com um livro infantil, já que as crianças são donas de um imaginário fantástico e sem fim. Ainda me sinto um garoto até hoje, perambulando pelo mundo da fantasia.

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