Só mais um comprimido, doutor

pílula

Minha saúde há anos não é mais aquela maravilha.

Numa caixa de papelão trago a farmácia do dia a dia.

Medicação tão forte no corpo que se mistura às letras.

Só para pressão tomo três comprimidos: Valsartana, Atenolol e Tensaliv.

Ao som de Strauss, danço valsa com Artana, mulher homônima da cidade valenciana, com ares de deusa grega.

O Atenolol talvez fosse indicado à depressão daqueles que viveram no Ateneu, de Raul Pompéia.

Tensaliv baixa a hipertensão, mas quem sabe não poderia ser algo que os beats tomassem pra viajar pelas rodovias dos USA. Vejo esse nome brilhando nos letreiros em neon.

Aí vem o Pantoprazol, que alivia o refluxo. Um dia sem ele e a gastrite me açoita. Mas esse nome cai bem num andróide da ficção científica, personagem de Asimov, creio.

Sci-fi é também a palavra Synthroid, pílulas com hormônios para me equilibrar, já que um câncer me levou a tireoide. Synthroids são andróides como os replicantes de K. Dick.

Ao fim do dia, para barrar a glicose e segurar o diabetes: Glifage. E aí penso numa substância que ganha vida própria, como a bolha assassina que sai comendo tudo o que vê pela frente.

E para baixar os triglisserídeos, um tal de Bezafibrato, quem sabe líquido que algum cientista doido usará para dar vida a um novo Frankenstein.

Minha cabeça roda com seres originários de remédios. Tá na hora de tomar mais um comprimido pra segurar a piração.

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