Eu amo as cigarras

Cigarras, sejam bem vindas à nossa confraternização

Cigarras, sejam bem vindas à nossa confraternização

Muitas pessoas não gostam das cigarras por causa do barulho que elas fazem. Eu não curto muito os insetos, mas sinto enorme simpatia pelas cigarras porque me encanta o som delas.

Não me importa se soltam suas vozes o dia inteiro e nem me incomodo se entram em minha casa, batendo suas asas contra o ar como uma borboleta de ferro. As cigarras me fazem lembrar que ainda existem árvores, onde elas vivem, que tem verde por perto. Amo a natureza a tal ponto que quero correr por aqueles campos sem fim.

As cigarras sempre foram mal vistas, desde aquela história de uma delas com as formigas. E quando falam dessa onda aproveitam para atacar os artistas, porque a cigarra é uma artista. Artistas são vagabundos, não trabalham, ficam o dia inteiro cantando. Assim o dizem. Ingratos! Quantas vezes esse canto sagrado não veio nos trazer alívio à dor? Não importa. Deixem a cigarra morrer de frio e fome lá fora. Quanta insensibilidade!

Mas, como disse, amo as cigarras. Por favor, soltem esses gritos agudos pelo dia e pela noite, enquanto preparo um chá para servi-las. Vamos nos harmonizar nesse sarau natural psicodélico.

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Em memória de Jack Bruce

Jack Bruce revolucionou o rock na banda Cream

Jack Bruce revolucionou o rock na banda Cream

Uma doença no fígado matou neste sábado o britânico Jack Bruce, ex-baixista da lendária banda Cream. O artista tinha 71 anos e havia passado por um transplante de fígado em 2003. Desde então, sua saúde veio declinando.

Escocês, Jack Bruce teve formação jazzística, mas tornou-se conhecido no mundo do rock, principalmente pelo trabalho com o Cream. A banda foi criada em 1966 por ele, o guitarrista Eric Clapton e o baterista Ginger Baker, outro egresso do jazz. Bruce havia tocado tanto com Clapton quanto com Baker em grupos de blues da cena britânica.

Muito influenciado pelo blues e com uma tonalidade psicodélica, o Cream se destacou no rock do Reino Unido pelo virtuosismo dos seus componentes. Enquanto a maioria dos conjuntos tocava um som básico, calcado em três acordes, o power trio se entregava nos shows a longos solos, que faziam jus à auto-denominação nada modesta de Nata (cream em inglês). Quem já assistiu a alguma performance ao vivo dos caras sabe que eles eram delirantes.

Eric e Jack improvisavam como demônios, simultaneamente, e alternavam-se nos vocais; Ginger Baker atacava com ritmo quebrado. O peso também constituía elemento significativo na música dos três, a ponto de serem considerados pioneiros do heavy metal, estilo que se popularizou no fim da década de 60. O próprio Eric Clapton certa vez numa entrevista declarou que até antes do Led Zeppelin o Cream tocava heavy metal. Aliás, no concerto de despedida no Royal Albert Hall, em Londres, em 68, é possível ver várias pessoas na plateia batendo cabeça, os chamados headbangers, um dos símbolos da pauleira.

O Cream teve vida curta. Durou pouco mais de dois anos. Acabou no final de 1968. Registrou somente quatro discos. No entanto, deixou influência incomensurável no universo do rock. Em seguida, Clapton e Baker formaram o Blind Faith, com Steve Winwood e Rick Grech, antes de partirem para suas carreiras solo. O Cream voltou a se reunir em 1993 e 2005. Nos anos 90, Jack Bruce e Ginger Baker se juntaram ao guitarrista irlandês Gary Moore no BBM. Jack teve carreira individual bem sucedida, na qual ecoaram suas influências do jazz. Também participou de discos de outros artistas, como Lou Reed e Bill Ward, ex-baterista do Black Sabbath, sempre com estilo impecável.

Neste sábado, perdemos um dos maiores talentos da música. Estamos tristes com a partida, mas a luz de sua fantástica trajetória nos iluminará para sempre. Descanse em paz, mestre Jack Bruce!