Morre Paco de Lucia

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Paco de Lucía está para o flamenco assim como Astor Piazzolla para o tango. Paco, na Espanha, e Astor, na Argentina, souberam dar um formato moderno a esses gêneros, incorporando outras influências e projetando-os internacionalmente para novas gerações. Exímio instrumentista, Lucía deixou-nos nesta quarta-feira, 26 de fevereiro, aos 66 anos, vítima de um infarto. 

Originário de família de músicos, Francisco Sánchez Gómez (este era seu verdadeiro nome) começou bem cedo no violão. Aos onze anos, já se apresentava profissionalmente no seu país e em meados da década de 60 iniciou a trajetória no mundo dos discos. 

Paco conseguiu destacar-se ao injetar em um estilo de origem cigana elementos jazzísticos e eruditos que sofisticaram essa música, retirando-a do âmbito meramente folclórico e levando-a para prestigiadas casas de concerto no mundo inteiro. 

Entre os destaques na carreira de Paco pode-se citar sua colaboração com Camaron de La Isla por quase uma década, que rendeu nove álbuns. Outro grande fruto foram as gravações com John McLaughlin e Al Di Meola, principalmente o disco Friday Night in San Francisco, de 1981, um espetáculo para quem aprecia solos virtuosísticos. O espanhol ainda participou como ele mesmo do filme Carmen, do conterrâneo Carlos Saura, no qual responde pela trilha sonora. Além dessa, no cinema assina a música de películas como The Hit, de Stephen Frears.

Paco morreu em Cancun, no México, onde vivia, mas seu corpo foi levado para sua cidade natal, Algeciras, onde sua revolução sonora começou, há mais cinco décadas.