Biografia narra história de um dos deuses da guitarra

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Não sou entusiasta de biografias. Acho a maior parte delas um saco. Em se tratando de livros sobre astros pop, torço mais ainda o nariz, pois a maior parte desses trabalhos se constitui de textos essencialmente comerciais e apelativos, que chamam a atenção pelas fofocas e não pelo valor musical do artista. Prova disso é que até um fedelho tipo Justin Bieber se considera apto a publicar algo para falar de sei lá o quê.

Encantou-me Luz e Sombras, sobre Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, por tratar essencialmente do trabalho do músico e não para se aprofundar em baboseiras como satanismo e com quantas groupies o cara transou.

Com o mesmo espírito, atirei-me a Iron Man, que reconstitui pelas próprias palavras a trajetória de Tony Iommi, guitarrista do Black Sabbath. Não me arrependi do tempo dedicado à leitura desse título, bastante divertido e que relata a história de um dos mitos do rock’n’roll.

Iron Man é assinado por Iommi em parceria com o jornalista T.J. Lammers. O livro recupera os momentos mais marcantes da vida de Tony, desde a infância pobre, como filho de imigrantes italianos, em Birmingham (Inglaterra), passando pelos primórdios em bandas obscuras, ao sucesso com o Sabbath, um dos ícones do heavy metal.

Um dos momentos mais interessantes se dá quando se narra como o acidente com Tony Iommi, numa fábrica, que culminou com a perda da ponta de dois dedos, influenciou seu jeito de tocar. O guitarrista precisou reinventar sua técnica, usando dedais para aliviar a dor e cordas mais finas para tocar com facilidade. Nesse processo, credita-se o surgimento do estilo arrastadão dos riffs do músico, uma das marcas do Black Sabbath.

O livro é longo. Não dá para me ater a grandes detalhes neste comentário, mas cito, entre o que me chamou a atenção, a forma de compor do quarteto britânico. Tony conta que ele criava os riffs. A partir das melodias do cantor Ozzy Osbourne, que surgiam na hora, o baixista Geezer Butler escrevia as letras.

O instrumentista também descreve o perfil dos seus colegas de banda. Ozzy é o alucinado, Geezer, o riponga vegetariano, enquanto Bill Ward se destaca pelos hábitos não muito higiênicos, como usar a mesma roupa por vários dias. Nesse meio, Iommi se descreve como  ponto de equilíbrio, tentando pôr ordem na casa. Mas vai colocar ordem no boteco com tanta cocaína na jogada. Por falar em drogas, não faltam relatos sobre os abusos cometidos pelos membros do grupo.

O livro aborda o ápice e a decadência da formação clássica do Sabbath, e passa pelas inúmeras mudanças no line-up nos anos 80 e 90, a maioria das vezes apenas com Iommi como integrante original. A vida pessoal do músico, com seus relacionamentos, não fica de fora e, finalmente, ele chega à reunião definitiva do Sabbath com Ozzy, que começou no fim da década de 90 e dura até hoje, e a seus trabalhos solo. O roqueiro apenas omite o câncer que teve recentemente.

Devo muito a Tony Iommi e à música dele com o Black Sabbath. Até dediquei meu primeiro livro, Não Abra Contos de Terror, à banda. Sou influenciado pelo som e pelas letras que criaram e meus contos de terror não teriam sido os mesmos sem essa preciosa referência. Mais uma razão para ter me deleitado com Iron Man.

Em outubro, eles vêm aí. Nem sei se irei assistir ao show, mas a música heavy metal do Sabbath é algo que sempre me acompanha.

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