O menino que maltratava bichos

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Era uma vez um menino muito malvado chamado Jaime, que gostava de torturar animais. 

Fazia coisas horríveis com os bichinhos. Um dia, amarrou uma bombinha no rabo de um gato e acendeu. A bomba estourou, estraçalhando o rabo do pobre felino, que saiu gritando pela rua. 

Em outra ocasião, pegou um cãozinho vira-lata que passava pela rua. Depois de bater muito no cachorro, teve a perversa ideia de jogá-lo de um viaduto. O cão se arrebentou todo, mas, felizmente, sobreviveu à queda e foi socorrido por pessoas, que o levaram correndo ao veterinário. 

Também se alegrava em usar estilingues para matar passarinhos. Se a pedra não era o suficiente para exterminar as aves, ele pisava nelas, feridas, esmagando-as até a morte. 

Sempre que praticava essas maldades, Jaime sentia imenso prazer. O divertimento ficava evidente com as gargalhadas que o garoto perverso dava. 

Não adiantava as pessoas o repreenderem. Por mais que falassem, ele não dava a mínima. Apenas esperava pela oportunidade de agir cruelmente com os bichos. Sua mãe brigava e o ameaçava com castigos, no entanto o menino fazia era debochar dela. 

– Cuidado, Jaime. Uma hora você pode se dar mal. Pare de maltratar os animais. Eles são nossos amigos – avisava a mãe.

– Claro. Não vou mais machucar nenhum bicho – respondia, cínico. 

Certo dia, o moleque passeava por um bosque perto de sua casa. Andava com seu estilingue na mão, à procura de um passarinho pra acertar. 

De repente, ouviu um barulho. Parecia o miado de um gato. Tentou identificar de onde vinha o som, até que avistou um filhote de gato branco. O bichinho miava como que chorando. 

Completamente agitado, Jaime correu até o gato, que olhou para ele com ternura. Vários pensamentos surgiram na cabeça do malvado, sobre qual seria a melhor forma de acabar com a criaturinha. 

– Oi, bichano. Tudo bem com você? Cadê a sua mãe? Deixou você aí sozinho? Deve estar com fome. 

O gatinho lambeu os beiços, talvez pensando que Jaime lhe daria um pouco de leite. 

Ao invés disso, o menino pegou o pequeno animal e o apertou com toda a força. O gatinho deu um grito terrível de dor, o que não sensibilizou Jaime. O menino pressionou as mãos até sentir os ossos do filhote se quebrarem. Os olhos do bicho se fecharam e sua cabeça abaixou, indicando que havia morrido. O cruel assassino abriu as mãos e jogou o filhote sem vida no chão. 

Nisso, o malvado percebeu que já escurecia. Pensou que melhor seria voltar para casa, pois já se aproximava a hora do jantar. Tinha fome. Mas, ao virar-se para ir embora, gelou. 

À sua frente, estava uma mulher muito velha. Usava um longo vestido preto, com um chapelão negro sobre a cabeça. Seus longos cabelos brancos caíam ate a cintura. Tinha o rosto todo enrugado e um nariz enorme e pontudo. Jaime imediatamente reconheceu nela as bruxas das histórias que sua mãe lhe contava. 

– O que você fez com meu gato? – perguntou ela. 

Tremendo, Jaime tentou enganá-la. 

– Eu… nada!

– Mentira. Olhe ele ali no chão. Você o matou. 

Jaime virou-se para o cadáver do gatinho e quis disfarçar. 

– Não fui eu. Ele já estava morto. 

– Mentira, menino. Eu vi tudo. Quando cheguei, você havia acabado de esmagar meu gatinho com as mãos. Depois, jogou ele no chão. 

– Eu não fiz isso. 

– Fez sim. Eu sei quem é você. É um moleque mau que gosta de maltratar os animais. Conheço todas as suas histórias. Só que hoje você mexeu com o bicho errado. E vai pagar por isso. 

O menino, tão cruel e valentão com animais indefesos, se deixou dominar pelo medo. As lágrimas caíram dos olhos. Ele ajoelhou-se na frente da mulher e, chorando muito, implorou:

– Por favor, não me machuque. Eu faço qualquer coisa que a senhora quiser. Arrumo outro gato. 

Muito séria, a mulher disse:

– Arruma outro gato. Você matou o meu filhote, o bichinho de que eu tanto gostava, que queria criar pra ser meu gatinho de estimação. Acha que uma vida se troca por outra? Ninguém trará meu gato de volta. Assassino de bichos! Você vai pagar caro por sua maldade. 

– Não, por favor. Não me faça mal. 

A velha levantou as mãos. 

– Nenhuma pessoa faz algo ruim com a Bruxa do Bosque e escapa. 

Jaime chorava e pedia perdão, mas a mulher não alterava sua fisionomia. 

– Não se preocupe. Se sua mãe ficar triste, arrumo outra criança pra ela. 

Dito isso, a bruxa deu uma gargalhada que ecoou ao redor.

Percebendo que não havia jeito de a velha mudar de ideia, Jaime levantou-se e tentou correr, porém, ficou paralisado. Suas pernas não responderam à sua vontade. Não saía do lugar. 

– Aonde pensa que vai, torturador de bichos? Daqui você não escapa. 

Paralisado, Jaime apenas conseguia escutar o que a Bruxa do Bosque falava. 

– Agora ganhará o castigo. Transformarei você no mais ignóbil dos seres. Alakazan, alakazoario, transforme esse menino malvado num reles protozoário. 

O bosque ao redor de Jaime desapareceu. Ele agora não era mais um menino e sim um ser de forma estranha, um microscópico protozoário, um micróbio causador de doenças. Viu-se cercado de tantas outras criaturas não menos esquisitas. Tinha apenas de humano sua consciência e não podia se movimentar direito. 

Desesperado, pensou na mãe e em sua mente gritou por ela. 

– Mamãe, me ajude. Me tire daqui. Mamãe!

Os pensamentos eram inúteis, já que sua mãe jamais o enxergaria naquele estado. 

De repente, outra criatura maior, redonda, chegou perto de Jaime. Tratava-se de uma bactéria, com tentáculos. Ela se aproximou de Jaime, que, desesperado, tentou se afastar. A bactéria, em segundos, aprisionou o protozoário Jaime com seus tentáculos e, rapidamente, o devorou. 

Acabou ali, muito mal, a vida de um menino que se divertia torturando bichinhos. 

Então, cuidado, garotos desalmados, ao pensarem em fazer mal a um bicho, principalmente se ele pertencer à Bruxa do Bosque. 

Moral da história: tratem os animais com carinho e respeito. 

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