Baixaria em ritmo bate-estaca

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Inteligência é tudo que não se vê num baile funk

A música brasileira, infelizmente, parece cada vez mais contaminada pelo lixo. Não é de hoje esse fenômeno. Já se vão quase três décadas desde que gêneros de massa, sem qualidade, começaram a tomar o lugar dos grandes artistas na mídia e no gosto das classes mais altas.

O funk é um dos estilos que dominam o gosto duvidoso. Trata-se de uma música execrável, um bate-estaca de letras chulas que apenas no nome guarda semelhança com o funk americano, sonoridade de gênios como Curtis Mayfield e George Clinton. Se o original dos Estados Unidos, bem assimilado no Brasil por grupos como a Banda Black Rio, apresentava caráter libertário, contra o racismo e a opressão dos negros, a versão carioca escraviza as mentes dos seus apreciadores.

Musicalmente pobre, nas letras o funk nacional demonstra possuir QI negativo. As temáticas não variam; dizem respeito principalmente à apologia ao crime e à exaltação do sexo banalizado, da dominação do homem pelos sentidos, que o igualam a uma besta fera.

Longe aqui de querer transmitir um discurso moralista. Pelo contrário, acredito na liberdade sexual. Porém, esse som está longe de ser algo liberal. O funk prega a submissão da mulher, transformada num simples objeto. Objeto muito burro, diga-se de passagem, já que as cantoras de sucesso dessa tendência entoam letras que as humilham, agridem e insultam. No enredo desses hits, coisas do tipo “dá c… é bão” ou “mete na minha x…”. Um roteirista de filmes pornôs consegue produzir textos mais inteligentes.

Do ponto de vista performático, o cenário piora. Assistir a cenas de um baile funk dá a impressão de que seus participantes ainda vivem numa sociedade tribal ou forma de organização ainda mais primitiva. Sociedade essa onde princípios básicos de civilidade parecem longe de chegar.

Uma das provas disso é que, recentemente, o Ministério Público começou a investigar um desses conjuntos de dançarinas, pois das quatro integrantes, responsáveis por uma coreografia imbecil chamada Quadradinho de 8, três são  menores de idade. O fato caracteriza exploração sexual das meninas, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. Vindo de uma música de tamanha pobreza artística e humana não poderíamos esperar atitude melhor.

Sinceramente, me pergunto se alguém com um mínimo de intelecto e sensatez vai gostar de um lixo desses. A resposta, claro, é não.

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