Thelonious, gênio absoluto

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Nesta noite de cansaço, passeando com o controle remoto pela TV, dou de cara com uma joia dos documentários musicais: Straight, no Chaser, de 1988, sobre Thelonious Monk, um dos maiores pianistas de todos os tempos. O filme tem direção de Charlotte Zwerin e produção de Clint Eastwood.

Thelonious enquadra-se entre artistas que avançaram e com sua originalidade levaram a música a novos patamares, a exemplo de Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Duke Ellington e John Coltrane. Basicamente um autodidata, considerado um dos criadores do bebop, evoluiu para algo absolutamente peculiar, muito difícil de rotularmos.

Compositor e instrumentista, alcançava efeitos melódicos e rítmicos impressionantes com  poucas notas. Em sua obra, não há nada desnecessário, tudo se encaixa com perfeição. Deu vida a temas antológicos do jazz, entre eles Round Midnight, Ruby my Dear, Blue Monk e Epistrophy.

Straight, no Chaser conta a trajetória do pianista e utiliza principalmente imagens no palco e no backstage, em turnês no começo dos anos 60. As performances são de deixar qualquer um de queixo caído. Acompanhado de feras como os saxofonistas Johnny Griffin e Phil Woods, Thelonious se destaca quando a câmera foca os longos dedos do pianista deslizando por seu instrumento, com simplicidade e tranquilidade surpreendentes.

A produção também lança olhares sobre o ambiente pessoal de Monk. Em certa fase, ele começou a sofrer de transtornos mentais, como a esquizofrenia. O músico americano parecia viver em outra dimensão.

Volta e meia, rodava o corpo e olhava para o infinito, dizia frases aparentemente desprovidas de sentido e apresentava uma expressão apática. Sua esposa, Nellie Monk, aparece como guardiã do pianista, cuidando de cada detalhe daquela existência dispersa, da escolha das roupas ao acompanhamento das refeições.

No filme, percebem-se rompantes de agressividade, quando, insatisfeito com uma de suas interpretações, Thelonious para a banda em um tema e, horas mais tarde, dá uma pancada em uma persiana.

Quem visse um Monk alucinado no cotidiano e não o conhecesse dificilmente imaginaria o que aquele sujeito era capaz de fazer quando sentava ao piano. Ali, a introspecção tomava a forma de notas que cativavam o público, conforme se vê neste documentário.

Thelonious Monk morreu em 1982, vítima de uma hemorragia cerebral. O filme recupera as imagens sensíveis do enterro do instrumentista, cercado por seus antigos companheiros de jazz. Fim da pessoa, mas não de uma das obras mais influentes e maravilhosas da música. Foi uma figura ímpar e um revolucionário.

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